Rio de Janeiro, 18 de Fevereiro de 2026

Operação prende integrante de milícia em Rio das Pedras

Integrante do núcleo financeiro da milícia de Rio das Pedras é preso em Maricá. Ação faz parte da Operação Intocáveis III, que visa combater grupos paramilitares no Rio.

Quarta, 18 de Fevereiro de 2026 às 11:52, por: CdB

Integrante do núcleo financeiro do grupo paramilitar estava escondido em Maricá.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) prendeu, nesta quarta-feira, um integrante do núcleo financeiro da milícia de Rio das Pedras, na Zona Sudoeste do Rio.

Operação prende integrante de milícia em Rio das Pedras | Miliciano é capturado em Rio das Pedras
Miliciano é capturado em Rio das Pedras

Segundo os investigadores, o criminoso foi localizado em Maricá, na Região Metropolitana do Rio, onde estava escondido.

O suspeito estava na mira das autoridades desde o começo do mês, quando foi apontado como um dos alvos da Operação Intocáveis III.

As investigações conduzidas pela Polícia Civil indicam que ele era o responsável pela movimentação e ocultação de recursos ilícitos da milícia. A identidade do criminoso não foi revelada.

Ele foi o sétimo integrante do núcleo financeiro da milícia capturado. Há duas semanas, seis membros da quadrilha foram presos.

Segundo as investigações, os alvos ocupavam funções centrais na sustentação econômica do grupo e utilizavam empresas de fachada com “laranjas” para ocultar a origem dos valores.

Em janeiro, agentes encontraram um cemitério clandestino na região, onde foram localizados restos mortais de vítimas ainda não identificadas.

Rio das Pedras é considerada o berço da milícia no estado, com origem no fim dos anos 1980, quando comerciantes locais passaram a pagar policiais para evitar a entrada de traficantes. 

Desde então, a região se consolidou como um dos poucos territórios do eixo Itanhangá–Jacarepaguá que permanecem sob domínio paramilitar, apesar da expansão de facções criminosas em áreas vizinhas.

Nos últimos meses, a milícia intensificou mecanismos de controle territorial e financeiro, incluindo cobranças de taxas a comerciantes e residências da região. Além da oferta de serviços e produtos essenciais, como gás, eletricidade, água, internet e TV a cabo. 

Apesar disso, o território já foi alvo de investidas por parte do Comando Vermelho (CV), que controla as comunidades do entorno como: Tijuquinha, Morro do Banco, Sítio do Pai João, parte da Muzema, além de áreas do Anil e da Gardênia Azul.

Vila Kennedy

Milicianos invadiram a Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio, e mataram um homem na terça-feira. O local é palco de disputa territorial entre grupos paramilitares e traficantes do Comando Vermelho. Uma segunda pessoa acabou ferida.

Segundo a Polícia Militar, Yorran Pereira de Oliveira estava em uma praça na comunidade. Ele chegou a ser levado para o Hospital Municipal Albert Schweitzer, mas não resistiu aos ferimentos. Não há informações sobre o outro ferido.

Procurada, a Delegacia de Homicídios da Capital informou que diligências estão em andamento para apurar a autoria e as circunstâncias do crime

A  Zona Oeste do Rio vive hoje um cenário de tensão marcado pela disputa territorial entre a maior milícia do estado, ligada a Luiz Antônio da Silva Braga, o Zinho, e o Comando Vermelho, como o site Agenda do Poder vem mostrando em uma série de reportagens especiais.

O avanço e o recuo desses grupos armados têm redefinido fronteiras informais em bairros da região, afetando diretamente a circulação de moradores e trabalhadores.

Em 8 de outubro, nos episódios mais recentes de violência envolvendo os grupos armados, vídeos divulgados nas redes sociais mostraram um intenso tiroteio durante uma suposta invasão de milicianos à Vila Kennedy, área sob domínio do Comando Vermelho. Segundo relatos de moradores, ao menos três traficantes teriam morrido na ação. 

A ofensiva seria uma resposta a um vídeo divulgado horas antes por criminosos do CV, que se exibiam armados de fuzis e afirmavam ter invadido a favela de Antares, em Santa Cruz — um dos principais redutos da milícia na Zona Oeste.

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