Operação do Governo do Estado de São Paulo prende dois suspeitos em esquema de lavagem de dinheiro com empresas de fachada.
Por Redação, com Agenda do Poder – de São Paulo
A Polícia Civil deflagrou, na quinta-feira, uma megaoperação para cumprir 23 mandados de busca e de prisão contra um grupo empresarial acusado de montar um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Dois investigados foram presos, incluindo um integrante de facção criminosa; um terceiro alvo está fora do país.

Segundo a investigação, houve bloqueio mínimo de R$ 1 bilhão em contas bancárias ligadas ao grupo. A ofensiva também resultou na apreensão de imóveis e veículos de luxo, que permanecerão indisponíveis enquanto as apurações avançam.
O delegado-geral Artur José Dian afirmou que a apuração começou após a denúncia de uma vítima de plataforma digital e evoluiu para uma operação de grande porte contra sonegação e fraude fiscal, com cooperação entre diferentes órgãos.
Estrutura
De acordo com o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais, Ronaldo Sayeg, o chefe do grupo está no exterior, em viagem à China. Entre os presos estão uma brasileira responsável pela área comercial e um integrante do PCC, enquanto a participação individual de cada envolvido segue sob análise.
As autoridades explicam que o bloqueio inicial foi fixado em R$ 1 bilhão, mas o número pode crescer após o levantamento dos saldos de 36 contas vinculadas à organização. Se confirmados valores elevados em cada uma, o montante retido pode ser muito superior.
Além das contas, imóveis avaliados em cerca de R$ 25 milhões e quatro carros de luxo foram apreendidos e permanecerão bloqueados durante a investigação, como parte da estratégia de asfixia financeira do grupo.
A força-tarefa reuniu cerca de 100 policiais civis, 20 auditores fiscais da Receita Estadual e dois promotores de Justiça. Os mandados foram cumpridos simultaneamente em São Paulo e Santa Catarina para evitar a dispersão de ativos.
As apurações indicam que as vendas de eletrônicos ocorriam pela plataforma principal, mas os pagamentos eram desviados para empresas de fachada. Esse fluxo permitiu a movimentação de ao menos R$ 1,1 bilhão em apenas sete meses, com uso de “laranjas” e dezenas de contas bancárias.
O grupo também recorria a pessoas com histórico criminal ligado a facções para figurar como sócios de fachada e beneficiários de imóveis de alto valor, estratégia voltada à blindagem patrimonial e à ocultação da origem dos recursos.
Integração
Para o secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, o foco é estrangular financeiramente organizações que fraudam o Estado, resultado da integração entre polícia, Ministério Público e Fazenda. A cooperação, segundo ele, é essencial para enfrentar crimes com engenharia financeira sofisticada.
As autoridades agora aprofundam a análise das transações e da estrutura societária usada no esquema. Novas medidas cautelares podem ser adotadas conforme surgirem evidências sobre a participação de outros envolvidos.
A expectativa é que o rastreamento completo do dinheiro ajude a dimensionar o alcance da fraude e a recuperar valores, além de sustentar futuras denúncias criminais e fiscais.