Ao menos 57 pessoas morreram no território palestino entre os dias 13 e 20 de julho.
Por Redação, com CartaCapital e Reuters – de Gaza, Nova York
O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos denunciou, nesta terça-feira, a recente “intensificação” dos ataques do Exército israelense na Faixa de Gaza, que causaram ao menos 57 mortos entre 13 e 20 de julho.

Nove meses após o anúncio do cessar-fogo, “ainda não há nenhum lugar seguro para os palestinos em Gaza”, destacou diante da imprensa em Genebra o porta-voz do Alto Comissariado, Thameen Al-Kheetan, que lamentou que o Exército israelense tenha “intensificado nos últimos dias” seus ataques no território, “matando e ferindo dezenas de palestinos”.
Segundo ele, esses bombardeios atingiram prédios residenciais, ao menos uma tenda que abrigava deslocados e outras áreas densamente povoadas.
Assim, entre 13 e 20 de julho, o Alto Comissariado “registrou ao menos 57 palestinos mortos, entre eles seis crianças e oito mulheres”.
O Exército israelense anunciou nos últimos dias ter realizado uma série de ataques na Faixa de Gaza contra vários membros do Hamas e da Jihad Islâmica, supostamente envolvidos no ataque de 7 de outubro de 2023 ou na manutenção de reféns em cativeiro.
Ao menos 1.144 palestinos morreram desde a entrada em vigor do cessar-fogo em outubro de 2025, segundo o Ministério da Saúde do território, cujos números são considerados confiáveis pela ONU.
As restrições impostas à imprensa e o acesso limitado a Gaza impedem à agência francesa de notícias Agence France-Presse (AFP) de verificar de forma independente os balanços ou de cobrir livremente a violência no terreno.
Netanyahu
O presidente norte-americano, Donald Trump, disse na segunda-feira que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não será preso quando visitar os Estados Unidos, depois que o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, disse que ainda estava considerando a medida.
– Benjamin Netanyahu não será preso, de forma alguma, enquanto estiver nos Estados Unidos da América – escreveu Trump em uma postagem nas redes sociais que não fez referência aos comentários do prefeito.
O Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia, emitiu um mandado de prisão contra Netanyahu em 2024 por supostos crimes de guerra cometidos durante a guerra de Gaza. Israel rejeita a jurisdição do tribunal e nega ter cometido crimes de guerra.
Trump não mencionou Mamdani em sua postagem no Truth Social, mas reconheceu a contribuição de Israel na guerra contra o Irã.
O prefeito de Nova York disse em uma entrevista transmitida no sábado que o departamento jurídico da cidade está avaliando ativamente o que a lei permite que seja feito.
– Acredito que o primeiro-ministro Netanyahu deve ser levado a Haia. Ele é um criminoso de guerra que foi indiciado pelo Tribunal Penal Internacional – disse Mamdani a um podcast em vídeo do New York Times chamado “A Entrevista”.
Israel diz que mandado de prisão do TPI é “fraudulento”.
Netanyahu costuma viajar para Nova York todo mês de setembro para o encontro anual de líderes mundiais na Assembleia Geral das Nações Unidas.
Israel respondeu aos comentários de Mamdani no domingo, em uma postagem no X, na qual chamou o TPI de “tribunal de fachada” e classificou o mandado de prisão contra Netanyahu como “fraudulento”.
“Mamdani parece interessado em desviar a atenção do público de seus próprios erros e atacar o líder do Estado judeu e a única democracia no Oriente Médio”, afirmou a postagem.
O TPI foi criado em 2002 e possui jurisdição internacional para julgar genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Os Estados Unidos e Israel não são membros do tribunal.
Mamdani, que assumiu o cargo em janeiro, disse durante sua campanha para prefeito que mandaria a polícia prender Netanyahu caso ele pusesse os pés na cidade de Nova York.
Em novembro passado, logo após a vitória eleitoral de Mamdani, o prefeito eleito e Trump tiveram um encontro inesperadamente amigável na Casa Branca, apesar de terem trocado insultos anteriormente.