Em meio à campanha eleitoral, Ben Gvir prevê a retirada de cerca de 2 milhões de habitantes em sete anos: “proposta realista”.
Por Redação, com CartaCapital – de Gaza
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, apresentou, nesta quinta-feira, um plano para retirar todos palestinos da Faixa de Gaza e transferi-los para outros países. Líder do partido de extrema direita Otzma Yehudit (“Poder Judaico”, em tradução livre), ele propõe que 250 mil palestinos deixem Gaza no primeiro ano de implementação do plano. Os cerca de 2 milhões de habitantes restantes do território, devastado pela guerra entre Israel e o Hamas, seriam expulsos nos seis anos seguintes.

Gvir classificou a proposta como “realista” e afirmou que há países dispostos a receber palestinos de Gaza, mas não especificou quais seriam essas nações. Segundo informações da imprensa israelense, citadas pela agência Anadolu, o plano foi batizado de “Disengagement 710” (“Desengajamento 710”). A proposta é apresentada pelo ministro como um projeto de “migração voluntária” e faz parte de sua campanha para as próximas eleições israelenses.
O anúncio ocorre um dia depois de o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmar que o governo continua defendendo a remoção dos palestinos de Gaza. Em entrevista a uma conferência organizada pelo jornal israelense Ynet, Katz disse que não haveria uma “solução real” para o território sem a migração da população palestina.
Segundo Katz, o presidente dos EUA, Donald Trump, teria apenas “congelado”, e não cancelado, uma proposta de retirada de palestinos do território. O ministro afirmou ainda que Israel estaria preparado para realizar a transferência “por mar, ar ou qualquer meio” e que outros países poderiam aceitar palestinos caso recebessem apoio de Washington. O Egito, que faz fronteira com Gaza, rejeita a possibilidade de receber refugiados palestinos.
O The Guardian também informou, na quarta-feira, que Katz busca o apoio de Trump para um plano de retirada de palestinos de Gaza. De acordo com o jornal britânico, o ministro israelense considera o apoio norte-americano fundamental para viabilizar a proposta.
Gaza
As declarações de Gvir e Katz ocorrem em meio à campanha eleitoral em Israel e reforçam a defesa, por integrantes da extrema direita do governo, de uma redução permanente da população palestina em Gaza.
A proposta de evacuação de Gaza é alvo de críticas de organizações de direitos humanos, que alertam que uma transferência em massa de uma população civil sob condições de coerção ou indução poderia configurar o crime de deslocamento forçado, proibido pela Convenção de Genebra, salvo em circunstâncias específicas previstas pelo direito internacional.