Rio de Janeiro, 06 de Agosto de 2026

Israel indicia colono por morte de ativista palestino

O ⁠indiciamento desta quinta-feira é o primeiro desde que os ataques do Hamas a Israel, em 7 de ⁠outubro de 2023, desencadearam a ofensiva militar ‌de Israel em Gaza.

Quinta, 06 de Agosto de 2026 às 14:47, por: CdB

O ⁠indiciamento desta quinta-feira é o primeiro desde que os ataques do Hamas a Israel, em 7 de ⁠outubro de 2023, desencadearam a ofensiva militar ‌de Israel em Gaza.

Por Redação, com Reuters – de Jerusalém

O Ministério Público de Israel indiciou, ‌nesta quinta-feira, um colono judeu pelo assassinato de um líder comunitário palestino ocorrido no ano passado na Cisjordânia — a primeira acusação desse tipo em mais de sete anos, em meio a um aumento da violência por parte dos colonos no território ocupado.

Colono é acusado por Israel de matar ativista palestino

Em uma acusação formal apresentada pelo Ministério Público, Yinon Levi é acusado de homicídio culposo por imprudência ⁠pela morte de Owdeh Hathaleen, um ativista de destaque que participou do documentário “Sem Chão”, ‌vencedor do Oscar de 2025.

As acusações contra Levi também incluem invasão de propriedade com uso de arma e dano doloso à propriedade durante um incidente ocorrido em julho ‌de 2025, no qual colonos operaram uma grande escavadeira ‌na aldeia palestina de Umm al-Khair, desencadeando um confronto com os moradores.

Hathaleen filmou ⁠o momento em que foi baleado durante o confronto. Imagens divulgadas pelo grupo israelense de direitos humanos B’Tselem mostram Levi sacando uma arma e atirando na direção de Hathaleen. Em seguida, ouve-se Hathaleen gemendo enquanto cai no chão.

Levi, que foi alvo de sanções por parte do Reino Unido e da União Europeia devido à violência contra palestinos, já ‌havia negado ter disparado o tiro que matou Hathaleen. A Reuters não conseguiu entrar em ‌contato com seu advogado para ⁠obter comentários.

Indiciamento

O ⁠indiciamento desta quinta-feira é o primeiro desde que os ataques do Hamas a Israel, em 7 de ⁠outubro de 2023, desencadearam a ofensiva militar ‌de Israel em Gaza e levaram ‌a um aumento acentuado da violência dos colonos contra palestinos na Cisjordânia, informou a B’Tselem.

Durante esse período, soldados e colonos israelenses mataram pelo menos 1.100 palestinos, entre eles pelo menos 240 crianças, segundo dados das Nações Unidas.

“A decisão de indiciar ⁠Yinon Levi é a exceção que confirma a regra. A impunidade que Israel concede a soldados e colonos que causam danos aos palestinos não é uma falha do sistema — é um componente central de uma política destinada a permitir que a violência continue e se intensifique”, afirmou a B’Tselem.

Outro ‌grupo de direitos humanos israelense, o Yesh Din, informou que a última vez que um civil israelense foi indiciado pelo assassinato de um palestino na Cisjordânia foi em ⁠2019.

As Forças de Defesa de Israel afirmam que investigam casos de irregularidades cometidas por seus soldados e que, juntamente com a polícia israelense, tomam medidas para reprimir a violência dos colonos.

Centenas de milhares de israelenses se estabeleceram entre milhões de palestinos em terras que Israel conquistou na guerra de 1967 e que os palestinos reivindicam como o núcleo de um futuro Estado independente.

Órgãos da ONU, palestinos e a maioria dos países consideram os assentamentos ilegais segundo as convenções internacionais e um grande obstáculo à paz. Israel contesta que os assentamentos sejam ilegais, alegando que há presença judaica na Cisjordânia há milhares de anos.

De acordo com dados das Nações Unidas, 18 palestinos foram mortos em incidentes ligados a ataques de colonos neste ano, em comparação com 17 em todo o ano de 2025.

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