O documentário, dirigido pelos israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, explica o funcionamento de um sistema utilizado pelas IDF para estimar o número de mortes de civis em ataques aéreos na Faixa de Gaza.
Por Redação, com ANSA – de Jerusalém
O chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF), general Eyal Zamir, ordenou uma investigação sobre a divulgação não autorizada de material sigiloso utilizado no filme Naza, premiado no Festival de Cinema de Veneza de 2026.

O documentário, dirigido pelos israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, explica o funcionamento de um sistema utilizado pelas IDF para estimar o número de mortes de civis em ataques aéreos na Faixa de Gaza. Israel, no entanto, acusa o longa de disseminar “calúnias” contra militares.
O filme foi gravado em segredo nos telhados de Tel Aviv durante a recente guerra em Gaza e incluiu entrevistas com mais de 20 soldados e funcionários da inteligência militar israelense, mostrando que o Exército consegue calcular com precisão quantos civis podem morrer em um determinado bombardeio contra o grupo fundamentalista Hamas.
Aplaudido por 25 minutos em sua projeção oficial no Festival de Veneza, Naza faturou o Prêmio Especial do Júri na mostra, no último sábado.
Segundo comunicado das IDF, o documentário “distorce deliberadamente a realidade, minando a legitimidade do Exército e do Estado de Israel”.
As Forças de Defesa determinaram a instituição de uma equipe para elaborar planos de ação e instrumentos para combater “falsas acusações” e encarregaram o procurador-geral militar de avaliar e promover possíveis iniciativas legais contra o filme e as pessoas envolvidas.
As IDF “usarão todas as ferramentas à sua disposição para proteger seus soldados, comandantes e tropas de combate, bem como a reputação do Exército israelense”, diz a nota.
Netanyahu
Já o premiê Benjamin Netanyahu definiu o longa como “chocante”. “Estamos combatendo a incitação ao antissemitismo em todo o mundo, mas é intolerável quando ela vem de dentro de nós”, acrescentou ele em um vídeo nas redes sociais. Segundo o chefe de governo, trata-se de uma “conspiração” contra os “bravos soldados” israelenses.
No último domingo, o ministro da Cultura de Israel, Miki Zohar, já havia pedido a revogação da cidadania de Yuval Abraham e Rachel Szor e acusado os documentaristas de “traição à pátria”.