Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2026

Milhares de haitianos são deportados à força, denuncia a ONU

O ataque – ocorrido no último domingo no subúrbio de Kenscoff – aconteceu dias depois de o primeiro voo com deportados dos Estados Unidos pousar no Haiti.

Sábado, 29 de Agosto de 2026 às 15:52, por: CdB

O ataque – ocorrido no último domingo no subúrbio de Kenscoff – aconteceu dias depois de o primeiro voo com deportados dos Estados Unidos pousar no Haiti.

Por Redação, com Reuters – de Porto Príncipe

Nos primeiros oito meses deste ano, cerca de 200 mil pessoas foram deportadas à força para o Haiti, segundo informações divulgadas em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, dias após um ataque de gangues nos arredores da capital do país, Porto Príncipe, que matou 47 pessoas.

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Os tumultos na capital haitiana têm sido constantes, denuncia a ONU

O ataque – ocorrido no último domingo no subúrbio de Kenscoff – aconteceu dias depois de o primeiro voo com deportados dos Estados Unidos pousar no Haiti, após o governo de Donald Trump vencer uma ação judicial que revogou o Status de Proteção Temporária (TPS) de milhares de haitianos.

Ativistas alertam que o nível atual de insegurança no Haiti é muito alto, em meio à crescente violência de gangues, e que o país não possui recursos para ajudar os deportados.

— O ataque em Kenscoff é mais um triste lembrete do sofrimento que os haitianos enfrentam diariamente — afirmou Indrika Ratwatte, subsecretária-geral interina da ONU para Assuntos Humanitários, ao Conselho de Segurança na véspera.

 

Crianças

As deportações forçadas para o Haiti em 2026 foram 10% maiores “em comparação com o mesmo período do ano passado”, acrescentou Ratwatte. Enquanto isso, quase 1,5 milhão de pessoas estão deslocadas internamente em um país com cerca de 12 milhões de habitantes, sendo metade delas crianças, de acordo com um resumo divulgado após a reunião do Conselho de Segurança.

Ratwatte disse ao Conselho que os deslocamentos forçados dobraram em apenas dois anos, descrevendo as condições em muitos locais como “miseráveis”. Segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), 98% dos deportados vieram da vizinha República Dominicana. O restante foi deportado das Ilhas Turcas e Caicos, dos Estados Unidos e das Bahamas.

 

Força multinacional

Na reunião, o Haiti solicitou o envio integral da Força Multinacional de Repressão às Gangues (GSF), mandatada pela ONU. A força foi autorizada em 2025 para reprimir a violência de gangues em todo o Haiti e restaurar a segurança pública, trabalhando em conjunto com a polícia e as Forças Armadas haitianas.

Ainda na ONU, o representante do Haiti, Pierre Ericq Pierre, pediu à comunidade internacional que acelere o destacamento da GSF em sua capacidade máxima. A força multinacional pretende atingir um efetivo de 5,5 mil agentes até o fim do ano A representante dos EUA, Jennifer Locetta, instou o Conselho de Segurança a renovar o mandato da GSF, o que deve ocorrer no final do próximo mês.

— A GSF não foi criada para emitir declarações por trás de um muro ou gastar nosso dinheiro enquanto o Haiti sofre — concluiu.

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