Rio de Janeiro, 27 de Agosto de 2026

Uefa recorre à Justiça dos EUA por documentos da Fifa

A Uefa alega que Infantino elaborou a proposta em segredo com um pequeno grupo de assessores e investidores, contornando os processos normais de governança da Fifa.

Quinta, 27 de Agosto de 2026 às 13:24, por: CdB

A Uefa alega que Infantino elaborou a proposta em segredo com um pequeno grupo de assessores e investidores, contornando os processos normais de governança da Fifa.

Por Redação, com Reuters e ANSA – de Manchester, Roma

A Uefa solicitou a um tribunal federal dos Estados Unidos permissão para obter depoimentos e documentos de instituição da Fifa na Flórida, a fim de utilizá-los em uma ação penal planejada na Suíça contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, de acordo com um documento judicial.

Instituição do futebol europeu pretende mover ação contra Infantino

Em um pedido apresentado nos termos da legislação dos EUA, a instituição que rege o futebol europeu afirmou que está considerando a instauração de um processo criminal contra Infantino e, possivelmente, outros dirigentes e assessores da Fifa, em relação a um plano — agora abandonado — de transferir os direitos comerciais ligados às Copas do Mundo masculina e feminina e à Copa do Mundo de Clubes para uma nova subsidiária chamada Fifa Forward Enterprise (FFE).

A Uefa alega que Infantino elaborou a proposta em segredo com um pequeno grupo de assessores e investidores, contornando os processos normais de governança da Fifa e sem consultar o Conselho da entidade, as confederações regionais ou as federações que a integram.

A ação solicita que um tribunal dos EUA autorize a obtenção de provas da FIfa (Americas), Inc. e da FWC2026 US, Inc., duas entidades da Fifa sediadas na Flórida. A Uefa afirmou que as organizações podem possuir documentos e testemunhas relevantes para esclarecer como a transação da FFE foi concebida, estruturada, avaliada e aprovada.

À agência inglesa de notícias Reuters entrou em contato com a Fifa para obter comentários.

Itália

Federação Italiana de Futebol (Figc) retirou na quarta-feira  seu apoio à candidatura à reeleição do presidente da Fifa, Gianni Infantino, que tem sido pressionado a deixar o cargo por conta de seu fracassado plano de vender parte dos direitos sobre a Copa do Mundo a investidores privados.

A decisão chega na esteira do rompimento entre a Uefa e o cartola ítalo-suíço, que tentará se reeleger na votação programada para março de 2027.

Segundo fontes ouvidas pela agência italiana de notícias ANSA, a Figc deseja expressar de modo claro e transparente sua posição de apoio à confederação europeia, que busca construir uma candidatura viável para desafiar Infantino no ano que vem.

– Continuaremos trabalhando ao lado da Uefa e de outras federações europeias para promover um modelo de futebol fundado no mérito, na solidariedade, na sustentabilidade e com os torcedores no centro – declarou o presidente da Figc, Giovanni Malagò.

– Nós nos reconhecemos em um modelo de responsabilidade compartilhada que tem permitido ao futebol crescer, inovar e , ao mesmo tempo, defender os próprios princípios fundadores – acrescentou.

Após a Copa de 2026, Infantino provocou revolta no mundo do futebol ao apresentar um plano para criar uma empresa com investidores privados para administrar as competições organizadas pela Fifa.

O projeto foi criticado pelas confederações europeia (Uefa), asiática (AFC) e da América do Norte e Central (Concacaf), e o cartola foi forçado a retirar a proposta, que tinha a participação de Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com quem o ítalo-suíço mantém boas relações.

Apesar da desistência, a pressão sobre Infantino não diminuiu, e Uefa, AFC e Concacaf publicaram recentemente uma carta conjunta na qual dizem ter perdido a confiança no dirigente, que comanda a Fifa desde 2016 e não deu sinais de que pretende se afastar da instituição.

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