Trata-se do segundo recuo da Casa Branca em menos de duas semanas. Governo Trump teria alegado que tropas estão mobilizadas na frente contra o Irã.
Por Redação, com DW – de Washington, Seul
A Coreia do Sul informou nesta segunda-feira que os Estados Unidos cancelaram um grande exercício militar entre os dois países previsto para setembro. O objetivo do treinamento, realizado a cada dois anos, é fortalecer eventuais operações conjuntas, mirando a Coreia do Norte, que tecnicamente ainda está em guerra contra o vizinho do Sul.

A Casa Branca teria alegado limitação na disponibilidade das tropas, em razão da guerra contra o Irã. O agora desmarcado “desembarque anfíbio” envolve fuzileiros navais de ambos os lados, que simulam a chegada a uma praia confirmada ou potencialmente hostil.
Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, já havia ordenado a redução de outro tipo de exercícios anuais. As manobras conjuntas foram reduzidas de onze para cinco dias.
O republicano argumentou que elas custam caro demais e enviam um sinal “inadequado e hostil” à Coreia do Norte. Segundo Trump, o seu governo e o regime de Kim Jong-un vêm mantendo boas relações.
Ele destacou ainda que Seul se recusou a apoiar a campanha de seu governo contra o Irã. “Recentemente perguntei ao presidente da Coreia do Sul se eles gostariam de se juntar a nós na desnuclearização da República Islâmica do Irã, e eles responderam: ‘Não, obrigado!'”.
“Portanto, e considerando que já é tarde demais para cancelar completamente os exercícios, instruí o secretário da Guerra, Pete Hegseth, a reduzir substancialmente os exercícios militares conjuntos”, acrescentou.
Divergência
O Pentágono não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre o cancelamento dos exercícios.
Trump defende há muito tempo o fim ou a redução dos exercícios militares com a Coreia do Sul, uma longeva aliada dos EUA. Ele frequentemente entra em choque com o governo aliado sobre a divisão dos custos da manutenção dos cerca de 28,5 mil soldados norte-americanos baseados no país e sobre seu papel na segurança regional mais ampla.
A Coreia do Norte recentemente disparou mísseis balísticos em direção ao Mar do Japão, poucos dias após um teste semelhante com um míssil balístico de curto alcance. Ao comentar a aproximação com Kim, Trump citou neste mês que o país teria 57 armas nucleares — o governo sul-coreano, em contrapartida, fala em 80 a 120 ogivas.
O regime de Kim costuma denunciar as manobras militares conjuntas entre Washington e Seul como preparativos para uma eventual invasão.
A relação entre Trump e Kim é marcada por altos e baixos há anos. Trump já ridicularizou o líder norte-coreano, chamando-o de “pequeno homem-foguete”, e ameaçou Pyongyang com “fogo e fúria”. Kim, por sua vez, declarou que iria “domar com fogo o idoso norte-americano mentalmente perturbado”.
Apesar disso, os dois participaram de três cúpulas bilaterais. Após trocar cartas com Kim, Trump chegou a afirmar que os dois haviam “se apaixonado”. Nenhuma dessas iniciativas, porém, resultou em mudanças no programa nuclear nem no desenvolvimento de mísseis balísticos da Coreia do Norte.