Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

ONG de Mendonça recebeu uma fortuna de mineradora ligada ao caso Master

A informação, apurada pelo portal de notícias UOL revela que o repasse financeiro foi firmado em abril de 2024 por meio de um contrato de mútuo conversível.

Quinta, 17 de Setembro de 2026 às 22:18, por: CdB

A informação, apurada pelo portal de notícias UOL revela que o repasse financeiro foi firmado em abril de 2024 por meio de um contrato de mútuo conversível.

Da Redação – de Brasília

O Instituto Iter, instituição fundada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, recebeu R$ 5,2 milhões da mineradora e holding Cedro Participações, cujo proprietário, o empresário mineiro Lucas Kallas, manteve histórico de parcerias de negócios com o banqueiro Daniel Vorcaro. A informação, apurada pelo portal de notícias UOL revela que o repasse financeiro foi firmado em abril de 2024 por meio de um contrato de mútuo conversível — modelo no qual os recursos emprestados podem ser convertidos em participação societária na instituição ou reembolsados com juros.

Mendonça
André Mendonça.

O acordo original previa um montante total de R$ 5,9 milhões. Contudo, em janeiro deste ano, a direção do Iter optou por interromper o recebimento das parcelas e dar início à devolução dos valores à Cedro. No mês seguinte, em fevereiro, André Mendonça foi sorteado relator das investigações relacionadas ao Banco Master.

Em nota, o Instituto Iter justificou o cancelamento do contrato alegando que “já se encontrava em situação de sustentabilidade financeira”. A instituição detalhou que “foi assinado um termo aditivo ao Mútuo no qual foi estabelecido o vencimento antecipado da dívida com o início imediato do pagamento dos valores devidos pelo Iter. A taxa de juros determinada foi a taxa SELIC. Até o momento já foram pagos cerca de 5,3% do total da dívida”, afirma.

Normas legais

As negociações do empréstimo foram conduzidas pelo presidente do instituto, o ex-ministro da Educação Victor Godoy Veiga, e dois executivos da Cedro Participações, Carlos Adel de Freitas e Eduardo Soares de Couto. O Iter enfatizou que Mendonça e Lucas Kallas não debateram os parâmetros do acordo e ressaltou que cumpriu as normas legais, destinando a totalidade dos recursos à sua estruturação e atividades institucionais, sem distribuição de lucros.

O instituto afirmou, ainda, que desconhecia relações empresariais paralelas mantidas pela Cedro ou por Kallas com terceiros e pontuou que “fatos supervenientes ao contrato não afetam a licitude nem a normalidade do mútuo então celebrado”.

Lucas Kallas comanda a Cedro Participações, grupo mineiro focado em mineração, logística e agronegócio, que declara faturamento anual de R$ 2,5 bilhões. O empresário manteve laços comerciais e investimentos em comum com Daniel Vorcaro antes da prisão do banqueiro. Entre as movimentações conjuntas, a Cedro detinha 8% da empresa de biotecnologia Biomm no fim de 2023, enquanto a gestora WNT adquiriu papéis da mesma empresa, até atingir 25% de participação em janeiro de 2025.

A respeito de André Mendonça — que se desligou do Iter no início de setembro —, o instituto declarou que o ministro “jamais recebeu dividendos, distribuição de lucros ou participações nos resultados”, limitando suas funções ao “âmbito acadêmico como docente”. Procurado, o ministro ainda não respondeu.

 

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