Rio de Janeiro, 02 de Junho de 2026

MP investiga esquema milionário do CV em quatro Estados

Operação do Gaeco/MPRJ desmantela esquema de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho, com mandados cumpridos em 4 estados. Descubra os detalhes.

Terça, 02 de Junho de 2026 às 12:02, por: CdB

Agentes cumpriram 18 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais.

Por Redação, com Agenda do Poder – de Brasília

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ) realiza, nesta terça-feira, uma operação contra um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção Comando Vermelho (CV). Ao todo, a Justiça expediu 18 mandados de busca e apreensão em residências e empresas investigadas por movimentar recursos da organização criminosa.

MP investiga esquema milionário do CV em quatro Estados | Lavagem de dinheiro para o CV ocorreu durante os anos de 2020 a 2025, segundo investigações
Lavagem de dinheiro para o CV ocorreu durante os anos de 2020 a 2025, segundo investigações

As ações ocorrem simultaneamente nos Estados do Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. No estado, as ações ocorrem em Cabo Frio e no bairro do Jacaré, na Zona Norte do Rio. Os mandados são cumpridos por agentes da 96ª DP (Miguel Pereira), com apoio das forças de segurança locais.

Apreensões

Até o momento, dois alvos foram presos. Os agentes também apreenderam uma arma de fogo, celulares e equipamentos eletrônicos.

Segundo a Polícia Civil, as investigações tiveram início após uma operação realizada em 2020 na comunidade do Tatão, em Anchieta, na Zona Norte do Rio. Na ocasião, os agentes localizaram comprovantes bancários que revelaram indícios de um esquema de movimentação financeira oriunda da venda de drogas.

Ainda conforme a polícia, os recursos arrecadados pelo tráfico eram fracionados em diversos depósitos de pequeno valor, realizados em agências bancárias localizadas próximas a áreas dominadas pela facção criminosa, principalmente nas imediações do Complexo do Chapadão. Em seguida, os valores eram transferidos para contas de pessoas e empresas utilizadas como “laranjas” e, depois, reinseridos no sistema financeiro com o objetivo de dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.

De acordo com o Ministério Público, o grupo investigado do CV movimentou mais de R$ 116 milhões entre os anos de 2020 e 2025. As apurações indicam que grande parte dos valores teve como destino pessoas residentes em Sete Quedas, no Mato Grosso do Sul, próximo à fronteira com o Paraguai.

Ponto estratégico 

A conexão entre o Rio de Janeiro e Sete Quedas despertou a atenção dos investigadores por se tratar de uma área considerada um ponto estratégico na rota de entrada de armas, cocaína e maconha no país.

Ainda segundo o Ministério Público, a análise das movimentações financeiras identificou um fluxo de recursos que saía do Rio de Janeiro e era direcionado para contas bancárias em cidades localizadas na faixa de fronteira. Para os investigadores, o percurso pode refletir o fluxo logístico utilizado pelo tráfico de droga. 

De acordo com a Polícia Civil, mesmo declarando baixa renda, os suspeitos movimentaram valores incompatíveis com sua capacidade financeira. Um dos investigados recebeu 54 depósitos em espécie, totalizando quase R$ 68 mil ao longo de quatro anos.

A suspeita é de que os entorpecentes tenham origem no Paraguai, ingressem no território brasileiro pelo Mato Grosso do Sul e, posteriormente, sejam distribuídos para o Rio de Janeiro via CV.

 

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