Rio de Janeiro, 16 de Junho de 2026

Lula não fala com Trump durante encontro do G7, mas manda o seu recado

Durante o G7, Lula critica a omissão dos países ricos e defende respeito à soberania no combate ao crime organizado transnacional.

Terça, 16 de Junho de 2026 às 20:33, por: CdB

Lula ressaltou, ainda, que o combate ao crime organizado transnacional é decisivo. Mas impõe uma condição.

Por Redação, com Reuters – de Évian-les-Bains (França)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou, nesta terça-feira, na sessão ampliada da cúpula do G7, a cobrança aos países ricos no que chamou de omissão diante da crise global de desenvolvimento. Sem citar nomes, criticou tanto o neoliberalismo quanto o protecionismo que marca a política comercial do governo de Donald Trump, um dos participantes do evento.

Lula, G7
António Costa, Lula e Ursula von der Leyen, durante o encontro do G7

— Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe — afirmou Lula, no discurso proferido na sessão dedicada ao tema ‘Firmar novas parcerias e reconstruir a solidariedade internacional’.

 

Terroristas

Lula ressaltou, ainda, que o combate ao crime organizado transnacional é decisivo. Mas impõe uma condição.

— Esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados — afirmou, referindo-se à decisão dos EUA de taxar as facções criminosas brasileiras como ‘organizações terroristas’.

O líder brasileiro disse que o narcotráfico “aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas” e que seu enfrentamento “não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas.”

 

Cooperação

Em 28 de maio, o Departamento de Estado norte-americano classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras — decisão anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio e que entrou em vigor em 5 de junho. A medida foi tomada dias após o senador Flávio Bolsonaro e Donald Trump reunirem-se, na Casa Branca.

O governo Lula rejeita a classificação, sob o argumento que os grupos são organizações criminosas com fins lucrativos, não terroristas. O combate ao narcotráfico, segundo o presidente brasileiro, deve respeitar “a soberania dos Estados” e ocorrer por meio de “cooperação institucional, inclusive por meio da Interpol”, em outro recado a Trump.

Nesta quarta-feira, em Genebra, Lula reúne-se com o secretário-geral da Interpol —o primeiro brasileiro a ocupar o cargo na história da organização—, Valdecy Urquiza, acompanhado do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. O encontro ocorre num momento em que o Brasil busca fortalecer a cooperação policial internacional como alternativa à pressão norte-americana para aceitar uma intervenção direta no combate às facções criminosas.

 

Atividades

Nas últimas semanas, Lula tem denunciado ao governo dos EUA que criminosos envolvidos em fraudes fiscais no Brasil se utilizam do Estado norte-americano de Delaware para lavagem de dinheiro.

— O enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas — resumiu Lula, em seu discurso.

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