O presidente Lula foi um dos primeiros líderes convidados a chegar a Évian. Antes de desembarcar, o brasileiro reuniu-se na capital Genebra com o chefe da Confederação Suíça, Guy Parmelin.
Por Redação, com ABr – de Évian-les-Bains (França)
O memorando de entendimento a ser assinado entre os EUA e o Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio dominava os bastidores na abertura da 52ª cúpula do G7, nesta segunda-feira, nos Alpes franceses. Com a chegada do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao luxuoso Hôtel Royal no Cantão francês, no entanto, haverá maior diversidade de temas sobre a mesa de negociação, entre eles o acordo entre a União Europeia e o Mercosul.

O tratado, a ser assinado nesta sexta-feira em Genebra após meses de negociações mediadas pelo Paquistão, prevê um cessar-fogo de dois meses, a reabertura do Estreito de Ormuz — bloqueado há mais de 100 dias— e o início de conversas sobre o programa nuclear iraniano.
Nesta manhã, líderes de França, Reino Unido, Alemanha, Japão e Itália divulgaram declaração conjunta saudando a iniciativa. O texto pede a reabertura imediata e incondicional de Ormuz, afirma que o Irã “nunca deverá se dotar de arma nuclear” e sinaliza disposição para levantar sanções “em resposta a medidas claras e verificáveis” de Teerã sobre seu programa atômico.
Soberania
Os cinco países também se comprometeram a apoiar uma missão defensiva de remoção de minas no estreito e reafirmaram o apoio à soberania do Líbano e a um cessar-fogo “robusto” no país.
Presidente da França e anfitrião da cúpula, Emmanuel Macron saudou o acordo em publicação nas redes sociais, lembrando que o G7 continuará pressionando por uma paz duradoura, inclusive no Líbano, onde Israel voltou a atacar posições do Hezbollah no domingo e quase inviabiliza o entendimento.
O presidente Lula foi um dos primeiros líderes convidados a chegar a Évian. Antes de desembarcar, o brasileiro reuniu-se na capital Genebra com o chefe da Confederação Suíça, Guy Parmelin. Ao longo da tarde, os demais participantes da cúpula desembarcaram no charmoso vilarejo às margens do lago Léman, entre eles o presidente dos EUA, Donald Trump.
Bilateral
Assim que chegou, o presidente Lula reuniu-se com o colega francês, Emmanuel Macron, em uma agenda paralela à Cúpula do G7. O encontro bilateral ocorreu às margens da reunião do grupo das principais economias desenvolvidas e foi marcado por cumprimentos entre os dois chefes de Estado, que se abraçaram e posaram para fotos.
Lula estava acompanhado do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Nas redes sociais, o presidente agradeceu a Macron pelo convite para o encontro e publicou um vídeo do momento em que os dois líderes se cumprimentam.
“O Brasil retorna a este importante espaço de diálogo levando a voz do Sul Global e reafirmando seu compromisso com a paz, a defesa do multilateralismo, o desenvolvimento sustentável e a construção de um mundo mais justo”, afirmou Lula.
Compromissos
A agenda brasileira no encontro foi confirmada nesta manhã, aos jornalistas, pelo secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Philip Fox-Drummond Gough. Segundo o diplomata, a cúpula tem sete textos em negociação, todos ainda em aberto, e o Brasil enviou contribuições para cada um deles.
Convidado pela presidência francesa, Lula participa do encontro nos dias 16 e 17 de junho. É a décima vez que o presidente brasileiro comparece à reunião das sete maiores economias do mundo — feito que o coloca entre os líderes com maior número de participações no evento, embora o Brasil não integre o G7 como membro pleno.
Além do Brasil, foram convidados Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito, assim como instituições como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial, o Banco Africano de Desenvolvimento e a OCDE.