A partir da decisão e do posicionamento da defesa, a Justiça Eleitoral terá o papel de avaliar se o conteúdo transmitido configura a prática de ‘deep fake’ — técnica que permite modificar imagens e sons por meio de recursos da IA.
Por Redação – de Brasília
Ao negar qualquer relação com o vídeo produzido por Inteligência Artificial (IA) e exibido durante a convenção do PL, a defesa do ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL) transferiu a responsabilidade do material integralmente para a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A manifestação causa, no entanto, um dilema direto para a pré-candidatura do parlamentar, deslocando o foco destas apurações para a sua equipe eleitoral.

A partir da decisão e do posicionamento da defesa, a Justiça Eleitoral terá o papel de avaliar se o conteúdo transmitido configura a prática de ‘deep fake’ — técnica que permite modificar imagens e sons por meio de recursos da IA, prática veementemente proibida pela legislação durante os pleitos eleitorais. A relatoria do caso está sob comando do ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
‘Esperança’
Na gravação veiculada ao público durante a convenção partidária do PL — reunião que referendou o nome de Flávio Bolsonaro à candidatura presidencial —, o vídeo com avatar do ex-presidente afirma que se encontra “preso e calado por uma decisão arbitrária”, acrescentando que “nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança”.
Além disso, o material simulado por IA solicita expressamente que a militância e os apoiadores recebam o filho ’01′ “de braços abertos” como candidato.
Para rebater a acusação, a estratégia do senador deve alegar que; além de não saber que o conteúdo digital seria exibido, os fatos ocorreram ainda no período de pré-campanha, antes, portanto, do prazo exigido pela legislação eleitoral.