O alto endividamento dos brasileiros tem prejudicado a avaliação do governo, nas pesquisas de opinião.
Por Redação – de Brasília
Na reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com seus ministros no Palácio do Planalto, nesta terça-feira, as medidas voltadas à redução do endividamento das famílias voltou ao centro do debate. Lula e a equipe econômia do governo finalizam uma nova edição do programa de renegociação com descontos que podem chegar a até 80%.

Participaram do encontro o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros da Fazenda, Dario Durigan; do Planejamento, Bruno Moretti; do Trabalho, Luiz Marinho; da Gestão, Esther Dweck; e o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello. As dívidas têm pesado no orçamento doméstico das famílias, que enfrentam um cenário adverso para o governo a poucos meses das eleições.
O alto endividamento dos brasileiros tem prejudicado a avaliação do governo, nas pesquisas de opinião. O quadro agravou-se nas últimas semanas, influenciado pelo patamar elevado dos juros, o que tem limitado a recuperação financeira dos consumidores.
Fundo
Uma das principais ferramentas em análise no encontro desta manhã foi o possível uso de um fundo garantidor, possivelmente o Fundo Garantidor de Operações (FGO), para ampliar os descontos nas dívidas. A proposta prevê que instituições financeiras que concederem abatimentos maiores aos devedores terão acesso a mais garantias do governo em novos financiamentos.
Os descontos, caso aprovada a solução, podem chegar a até 80%, conforme já mencionado pelo ministro Dario Durigan.
Outra medida em avaliação é a liberação parcial do FGTS para pagamento de dívidas, o que poderia abrir espaço no orçamento das famílias. No entanto, há preocupações sobre o impacto dessa iniciativa, especialmente o risco de trabalhadores ficarem sem reserva financeira em caso de desemprego.
Paralelamente, o governo também estuda regulamentar o uso do FGTS como garantia em operações de crédito consignado no setor privado.
Índice
O percentual de famílias com dívidas no Brasil, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgados no início desta tarde, voltou a crescer e atingiu o maior nível da série histórica em março de 2026. O índice chegou a 80,4%, acima dos 80,2% registrados em fevereiro.
O resultado ocorre após o início do ciclo de redução da taxa básica de juros pelo Banco Central (BC), iniciado em março. Ainda assim, os efeitos da mudança na política monetária não foram sentidos no consumo.
— A elevada taxa Selic é, há meses, um desafio para quem empreende e para quem consome. A redução gradativa dos juros começou, mas ainda vemos um aumento do nível de famílias endividadas, pois levaremos meses até que o alívio do aperto monetário faça efeito. Neste cenário, é imprescindível que as autoridades sinalizem melhores condições de crédito e mais previsibilidade ao setor produtivo — resumiu o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.