Rio de Janeiro, 02 de Abril de 2026

Plano de Lula para equacionar dívidas tem garantia do governo

O governo Lula propõe programa de renegociação de dívidas com até 80% de desconto, visando ajudar famílias endividadas. Descubra mais sobre essa iniciativa.

Quarta, 01 de Abril de 2026 às 20:44, por: CdB

O ministro estuda, ainda, a hipótese na qual haveria 80% de desconto com a renegociação e um refinanciamento dos 20% restantes.

Por Redação – de Brasília

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca colocar em prática um programa inédito de renegociação de dívidas com “desconto amplo e, eventualmente, com garantias do governo”, adiantou o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Os descontos em dívidas devem ser direcionados especialmente para famílias com renda mensal inferior a três salários mínimos.

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O ministro estuda, ainda, a hipótese na qual haveria 80% de desconto com a renegociação e um refinanciamento dos 20% restantes. Atualmente, segundo levantamento do Banco Central (BC), há 81,3 milhões de cidadãos endividados e o quadro tende a se agravar ainda mais.

Diante dos fatos, a confiabilidade das informações passa a ser determinante para aumentar a efetividade da cobrança digital, o que impacta a posição dos bancos. O número de brasileiros com dívidas em atraso atingiu um novo recorde em janeiro de 2026, segundo dados da Serasa.

 

Pressão

Trata-se, no momento, do maior volume da série histórica, após 13 meses consecutivos de crescimento. Entre as faixas etárias, o destaque está no grupo de 41 a 60 anos, que concentra 35,6% do total, seguido por consumidores de 26 a 40 anos (33,4%), acima de 60 anos (19,9%) e jovens entre 18 e 25 anos (11,1%).

O avanço aumenta a pressão sobre o setor de recuperação de crédito e um dos principais entraves está na dificuldade em falar com o devedor. Em muitos casos, o problema vai além da abordagem adotada e está na qualidade das informações cadastrais, uma vez que telefones desatualizados, inativos ou que não pertencem mais ao titular reduzem o alcance das ações, comprometem os resultados e elevam os custos.

Nesse ambiente, ganha espaço uma abordagem mais orientada à qualificação dos dados e à assertividade das interações, em contraste com modelos baseados no volume de contatos. A lógica passa a priorizar a identificação dos perfis antes da ampliação das tentativas de comunicação, direcionando esforços para públicos com maior potencial de resposta.

 

Pessoa jurídica

Além do endividamento das pessoas físicas, das famílias, houve também o aumento de 18,9% nos pedidos de falência no primeiro semestre de 2025, segundo a Serasa Experian, e levantamentos do IBGE que indicam que uma parcela significativa das empresas opera com margens reduzidas. No plano de fundo da questão das empresas, no entanto, há uma questão estrutural. Boa parte dos negócios no Brasil ainda compete por circunstância, não por organização. 

Segundo o advogado, contador e especialista em reestruturação empresarial Marcos Pelozato, a diferença entre crescer e sobreviver está na forma como a empresa se encontra diante de cenários adversos.

— O empresário brasileiro ainda toma decisão com base em urgência, não em estratégia. Isso cria negócios que funcionam enquanto o mercado ajuda, mas não resistem quando o cenário muda — conclui.

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