Rio de Janeiro, 01 de Abril de 2026

Presidente quer agilizar plano contra o endividamento familiar

O avanço do endividamento tem neutralizado os efeitos positivos da economia sobre a população, na análise do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Terça, 31 de Março de 2026 às 21:22, por: CdB

O avanço do endividamento tem neutralizado os efeitos positivos da economia sobre a população, na análise do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Por Redação – de Brasília

O alto crescimento no volume de dívidas das famílias brasileiras é hoje uma das maiores preocupações do governo, em meio ao cenário eleitoral, mesmo diante de indicadores econômicos considerados positivos, como inflação controlada, aumento da renda e baixo desemprego. A dificuldade de percepção de melhora na economia está diretamente relacionada ao peso das dívidas no orçamento doméstico, que reduz o poder de compra e afeta a sensação de bem-estar.

Presidente quer agilizar plano contra o endividamento familiar | Um número cada vez maior de brasileiros naufraga diante das dívidas
Um número cada vez maior de brasileiros naufraga diante das dívidas

O avanço do endividamento tem neutralizado os efeitos positivos da economia sobre a população, na análise do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Quase metade da renda anual dos brasileiros — 49,7% — está comprometida com dívidas, enquanto cerca de um terço da renda mensal é destinado apenas ao pagamento de juros, de acordo com relatório do Banco Central (BC).

 

Dados negativos

Apesar dos dados macroeconômicos favoráveis, a percepção popular permanece negativa, segundo a última pesquisa Quaest. O estudo mostra que 48% dos brasileiros acreditam na piora da economia, ao longo do último ano, enquanto apenas 24% identificam melhora. O principal fator por trás desse descompasso é o peso das dívidas no cotidiano das famílias.

O comprometimento da renda com pagamentos financeiros limita o consumo e impede que os ganhos econômicos sejam percebidos de forma concreta pela população. Na prática, o crescimento da renda acaba sendo absorvido pelos encargos financeiros.

O nível elevado das taxas de juros no país é apontado como um dos principais fatores que agravam o endividamento. Enquanto a taxa básica Selic está em 14,75%, o custo médio do crédito pessoal alcança 62%. Situação ainda mais crítica é observada no rotativo do cartão de crédito, que atingiu 435,9% ao ano em fevereiro, acima dos 424% registrados no mês anterior. Esse tipo de crédito é considerado um dos mais prejudiciais para o consumidor, pois amplia rapidamente o valor das dívidas, dificultando a quitação.

 

Solução

Diante do cenário negativo, o governo trabalha na elaboração de medidas com impacto imediato para aliviar o endividamento das famílias. A estratégia segue a lógica adotada no ‘Programa Desenrola’, que buscou substituir dívidas com juros elevados por modalidades mais baratas, com apoio institucional.

A equipe econômica tem discutido com Lula o uso de um fundo para facilitar a negociação de débitos de famílias que hoje estão em situação de superendividamento e não têm mais dinheiro para arcar com todas as suas despesas básicas, dado o elevado comprometimento da renda com dívidas.

A ideia é facilitar o acesso das pessoas a linhas de crédito com taxas de juros mais baixas e com maior prazo de pagamento, para que os débitos acumulados possam ser quitados em prestações que não comprometam parcela excessiva do salário.

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