Rio de Janeiro, 07 de Abril de 2026

Juros asfixiam empresas e têm levado ao aumento de falências

Em 2025, 2.466 empresas solicitaram recuperação judicial devido aos altos juros da Selic. Entenda como a taxa impacta a economia e o futuro das empresas.

Terça, 07 de Abril de 2026 às 20:04, por: CdB

No ano passado, 2.466 empresas entraram na Justiça com pedido de recuperação judicial.

Por Redação, com ACS – de São Paulo

A Selic, taxa básica de juros do Banco Central (BC), em 15% ao ano por um longo período, tem asfixiando milhares de empresas. Em 2025, o número de companhias que pediram recuperação judicial para renegociar dívidas pendentes, reestruturar-se e conseguir manter o negócio de pé foi recorde.

Juros asfixiam empresas e têm levado ao aumento de falências | Na ponta do lápis, muitas empresas apontam para mais prejuízos do que lucro e acabam fechadas
Na ponta do lápis, muitas empresas apontam para mais prejuízos do que lucro e acabam fechadas

No ano passado, 2.466 empresas entraram na Justiça com pedido de recuperação judicial. Foi o maior nível da série iniciada em 2012 e um número 13% maior do que no ano anterior, segundo levantamento da Serasa Experian. Para chegar a esses números, a datatech coletou os pedidos de recuperações judiciais em todas as comarcas do país.

 

Processos

Ainda no ano passado, a quantidade de processos de recuperação judicial que podem envolver várias empresas de um mesmo grupo econômico em situação difícil atingiu o maior nível em uma década. Ao todo, foram 977 processos de recuperação judicial em 2025, com crescimento de 5,5% ante 2024.

— Quando a gente olha exclusivamente para o número de Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJs), isto é, as empresas, é um volume bastante alarmante — afirmou a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, ao diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo.

Uma vez cruzadas as informações sobre número de processos de recuperação judicial, que podem incluir várias empresas, com o total de CNPJs que pediram recuperação, chega-se a uma base mais real da questão. Ou seja, é possível relativizar esse recorde de companhias em situação financeira difícil, que já é bastante preocupante, observa a economista.

 

Recessão

A Serasa Experian decidiu interromper a divulgação dos dados de recuperações judiciais no primeiro trimestre do ano passado para reformular a metodologia do levantamento. Agora, o Indicador de Falências e Recuperações Judiciais da datatech passa a acompanhar o tema por duas métricas: o número de empresas que entraram com pedido de recuperação judicial e a quantidade de processos de recuperações judiciais.

Em 2016, quando o total de processos de recuperação judicial atingiu 1.011, o pico da série, o ambiente econômico que levou a esse recorde era bem diferente do cenário de 2025. No ano passado, foram 977 processos de recuperação judicial.

Abdelmalack lembra ainda que, em 2016, o país enfrentava uma recessão econômica, com juros e inflação elevados. Configurava-se, assim, um problema mais macroeconômico, que afetava a solvência das empresas, diferentemente do momento atual.

— Estamos num quadro de desaceleração da atividade econômica provocada por uma taxa de juros que é bastante elevada, o que encarece o crédito e cria dificuldade para as empresas rolarem as suas dívidas. Não estamos nem próximos do momento que vivemos lá em 2016 — concluiu.

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