Rio de Janeiro, 10 de Maio de 2026

Cerco dos EUA a Cuba leva à suspensão de mineradora canadense, na Ilha

A Sherritt International encerra suas operações em Cuba devido ao endurecimento das sanções dos EUA, impactando a economia local e a produção de níquel e cobalto.

Domingo, 10 de Maio de 2026 às 18:04, por: CdB

A saída da companhia canadense ocorre em um momento extremamente crítico para a economia cubana.

Por Redação, com BdF – de Havana

Após mais de três décadas de presença ininterrupta em Cuba, a mineradora canadense Sherritt International anunciou a suspensão imediata de todas as suas atividades na ilha. A empresa, responsável pela exploração de níquel e cobalto — minerais estratégicos para o país caribenho —, representa um dos maiores investimentos estrangeiros na nação.

Cerco dos EUA a Cuba leva à suspensão de mineradora canadense, na Ilha | A planta de mineração foi desativada por força do bloqueio imposto pelos EUA a Cuba
A planta de mineração foi desativada por força do bloqueio imposto pelos EUA a Cuba

Segundo explicou a própria companhia, com sede em Toronto, em comunicado oficial, o recente endurecimento das medidas coercitivas unilaterais impostas pelos Estados Unidos contra Havana “altera sustancialmente a capacidade da corporação de operar normalmente, incluindo as atividades relacionadas à empresa mista da Sherritt em Cuba”.

O documento refere-se à ordem executiva emitida pela Casa Branca no último dia 1º de maio, que amplia o alcance extraterritorial das sanções contra qualquer pessoa, empresa ou entidade não estadunidense que mantenha relações comerciais com Cuba, especialmente nos setores de energia, defesa, segurança e finanças.

 

Economia

A saída da companhia canadense ocorre em um momento extremamente crítico para a economia cubana. Por meio da associação econômica Moa Nickel S.A. — na qual a Sherritt detinha 50% das ações e o Estado cubano a outra metade —, a empresa chegava a produzir anualmente cerca de 32 mil toneladas de níquel (Cuba possui uma das maiores reservas do mundo) e 3,5 mil toneladas de cobalto na província de Holguín. Ambos são minerais essenciais para o mercado global de baterias.

A exportação desses minérios é uma das principais fontes de receita da nação; nos últimos anos, a atividade representou entre 25% e 35% do total de moeda estrangeira que entra no país. Além disso, a Sherritt atua no setor energético através da empresa mista Energas S.A., que responde por aproximadamente 10% da geração elétrica total do país, abastecendo principalmente as regiões ocidental e central.

Esse aporte é vital no cenário atual, já que, desde o final de janeiro, os Estados Unidos impuseram um bloqueio energético contra a ilha, ameaçando sancionar qualquer país que “venda ou forneça petróleo” a Cuba. Devido às dificuldades da guerra econômica de Washington, a ilha sofreu uma retração econômica de cerca de 20% desde 2020, segundo dados da CEPAL. Nesse contexto, especialistas consultados pelo Brasil de Fato alertam que a interrupção da exportação de níquel e a possível queda na produção elétrica podem criar um cenário “desastroso” para a já combalida economia cubana.

 

Bloqueio

Ao comentar as novas sanções dos EUA, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou que as medidas “agravam a situação já difícil” do país. Ao mesmo tempo, destacou que as agressões norte-americanas fortalecem a determinação do povo cubano em “defender a pátria, a revolução e o socialismo”.

— Nosso povo conhece a crueldade por trás das ações do governo dos EUA e a fúria com que são capazes de atacá-lo. Compreende, assim como o resto do mundo, que se trata de uma agressão unilateral contra uma nação e uma população que só deseja viver em paz, dona de seu próprio destino e sem a interferência perniciosa do imperialismo estadunidense — concluiu.

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