Rio de Janeiro, 06 de Agosto de 2026

Lula veta ‘jabuti’ que anistiava caminhoneiros bolsonaristas

Lula disse também que, com a MP do Frete, a relação entre empresários e caminhoneiros não vai valer através da “lei do mais forte”.

Quinta, 06 de Agosto de 2026 às 20:12, por: CdB

Lula disse também que, com a MP do Frete, a relação entre empresários e caminhoneiros não vai valer através da “lei do mais forte”.

Por Redação – de Brasília

Entrou em vigor, nesta quinta-feira, a Medida Provisória (MP) do Frete, que torna obrigatório o cadastramento das operações de transporte rodoviário de cargas e reforça os mecanismos de fiscalização do piso mínimo do frete. Na cerimônia com líderes da categoria, no Palácio do Planalto, Lula disse que é preciso que os beneficiados façam fiscalizações para que as mudanças vigorem de fato.

Caminhoneiros ameaçaram fazer greve, devido à questão do frete defasado

— Nós estamos aprovando uma lei, assumindo um compromisso com vocês, e todo mundo tem que ficar atento se essa lei estiver sendo burlada. Se as pessoas não denunciarem, a gente não vai saber — afirmou.

Lula disse também que, com a MP do Frete, a relação entre empresários e caminhoneiros não vai valer através da “lei do mais forte”. Ao falar sobre outras demandas da categoria, como créditos para a aquisição de caminhões e outros equipamentos, o presidente disse que não é fácil convencer os bancos a fazer investimentos em projetos do governo.

— Não pensem que a gente tem facilidade de convencer os bancos a colocar dinheiro. Às vezes, a gente está cheio de boa intenção, toma uma decisão e aí o banco fala: olha, eu não estou preparado para isso, não tenho experiência com isso, a pessoa não vai poder pagar e eu não posso correr o risco. É muito complicado — acrescentou.

 

Anistia de multas

A MP do Frete busca endurecer as regras do transporte de cargas, além de fortalecer o cumprimento do piso da categoria. O texto incluía um “jabuti” que anistiava multas a caminhoneiros que bloquearam rodovias ao participar de manifestações após a vitória de Lula sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O presidente vetou a anistia. De acordo com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), a medida presidencial busca evitar um tratamento desigual entre aqueles que atentaram contra a democracia.

Os ministros do governo que discursaram foram o secretário-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e do Trabalho, Luiz Marinho, que destacou que a chancela de última hora no Senado diante de um indicativo de greve da categoria. 

— Poderia ter sido aprovada com mais facilidade, mas foi preciso ameaça — observou Marinho.

 

Código

A MP amplia o controle e a rastreabilidade das operações de transporte por meio da emissão obrigatória do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT). A medida prevê a integração do código ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) e determina que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) adote medidas para impedir a emissão do CIOT em operações que estejam em desacordo com os pisos mínimos de frete estabelecidos pela legislação.

O projeto amplia a obrigatoriedade do CIOT para operações que envolvam a subcontratação de Transportador Autônomo de Cargas (TAC) ou TAC equiparado, mantendo a responsabilidade do contratante pela emissão do código por meio de instituição de pagamento habilitada.

O texto endurece as punições a quem contratar transporte rodoviário de cargas por valor abaixo do piso mínimo do frete: quando caracterizada a reincidência, o infrator ficará sujeito a multa de até R$ 1 milhão, conforme regulamentação da ANTT. A norma determina que a aplicação da penalidade deve observar critérios de proporcionalidade previstos na lei, como gravidade da infração, extensão do dano e capacidade econômica do autuado.

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