Rio de Janeiro, 16 de Setembro de 2026

Dívidas dos brasileiros chegam a um ponto crítico

Em seis anos e meio, mais que quadruplicou o número de brasileiros que têm, simultaneamente, dívidas em atraso com instituições financeiras tradicionais e fintechs.

Quarta, 16 de Setembro de 2026 às 18:10, por: CdB

Em seis anos e meio, mais que quadruplicou o número de brasileiros que têm, simultaneamente, dívidas em atraso com instituições financeiras tradicionais e fintechs.


Por Redação, com Bloomberg – de São Paulo

O calote recorde que afeta 83,9 milhões de pessoas, das quais mais da metade (54,15 milhões) com dívidas em atraso com o sistema financeiro soma-se, agora, aos brasileiros estão com pouca margem de manobra para honrar o pagamento em dia de suas dívidas por causa do elevado comprometimento da renda. Esse aperto aparece em um dado inédito sobre inadimplência.

dívida
Calote recorde que afeta 83,9 milhões de pessoas.

Em seis anos e meio, mais que quadruplicou o número de brasileiros que têm, simultaneamente, dívidas em atraso com instituições financeiras tradicionais e fintechs. Esse grupo de inadimplentes acumula pendências, em média, de quase R$ 8 mil, cerca de 40% maior do que a média do calote com instituições financeiras tradicionais. Também tem o dobro do número de dívidas não pagas, na mesma base de comparação.

Em julho deste ano, 8,92 milhões de pessoas estavam, ao mesmo tempo, inadimplentes com instituições financeiras e fintechs. É um aumento de 355,1% em relação a dezembro de 2019, aponta um estudo sobre o perfil da origem do crédito que levou ao calote, feito pela datatech Serasa Experian, a partir da sua base de dados.

Inadimplentes

O grupo de inadimplentes com instituições financeiras e fintechs simultaneamente registrou a maior taxa de crescimento comparado aos demais. Entre os que deviam somente para fintechs no mesmo período, a alta foi de 74,55% no número de inadimplentes, seguido pelo grupo com pendências apenas com instituições financeiras: 56,69%.

Já o número de negativados com o sistema financeiro como um todo aumentou 77,13% em seis anos e meio.

— Quem buscou uma segunda alternativa de crédito e ficou inadimplente é uma pessoa que está operando no gargalo — afirma Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian e responsável pelo estudo.

Esse resultado é um sinal muito claro, segundo a economista, de que muitos brasileiros que recorreram às fintechs para obter crédito para cumprir com alguma obrigação nem isso estão conseguindo, porque também acabaram ficando inadimplentes. Ela pondera, no entanto, que o estudo não identifica em qual fonte foi tomado o primeiro crédito que deu origem à inadimplência.

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