Em seis anos e meio, mais que quadruplicou o número de brasileiros que têm, simultaneamente, dívidas em atraso com instituições financeiras tradicionais e fintechs.
Por Redação, com Bloomberg – de São Paulo
O calote recorde que afeta 83,9 milhões de pessoas, das quais mais da metade (54,15 milhões) com dívidas em atraso com o sistema financeiro soma-se, agora, aos brasileiros estão com pouca margem de manobra para honrar o pagamento em dia de suas dívidas por causa do elevado comprometimento da renda. Esse aperto aparece em um dado inédito sobre inadimplência.

Em seis anos e meio, mais que quadruplicou o número de brasileiros que têm, simultaneamente, dívidas em atraso com instituições financeiras tradicionais e fintechs. Esse grupo de inadimplentes acumula pendências, em média, de quase R$ 8 mil, cerca de 40% maior do que a média do calote com instituições financeiras tradicionais. Também tem o dobro do número de dívidas não pagas, na mesma base de comparação.
Em julho deste ano, 8,92 milhões de pessoas estavam, ao mesmo tempo, inadimplentes com instituições financeiras e fintechs. É um aumento de 355,1% em relação a dezembro de 2019, aponta um estudo sobre o perfil da origem do crédito que levou ao calote, feito pela datatech Serasa Experian, a partir da sua base de dados.
Inadimplentes
O grupo de inadimplentes com instituições financeiras e fintechs simultaneamente registrou a maior taxa de crescimento comparado aos demais. Entre os que deviam somente para fintechs no mesmo período, a alta foi de 74,55% no número de inadimplentes, seguido pelo grupo com pendências apenas com instituições financeiras: 56,69%.
Já o número de negativados com o sistema financeiro como um todo aumentou 77,13% em seis anos e meio.
— Quem buscou uma segunda alternativa de crédito e ficou inadimplente é uma pessoa que está operando no gargalo — afirma Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian e responsável pelo estudo.
Esse resultado é um sinal muito claro, segundo a economista, de que muitos brasileiros que recorreram às fintechs para obter crédito para cumprir com alguma obrigação nem isso estão conseguindo, porque também acabaram ficando inadimplentes. Ela pondera, no entanto, que o estudo não identifica em qual fonte foi tomado o primeiro crédito que deu origem à inadimplência.