Contraventor foi detido com policial militar que atuava como seu segurança.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
O contraventor Adilson Oliveira Coutinho, conhecido como Adilsinho, vai ser levado para um presídio federal após ser preso na quinta-feira, durante uma ação conjunta da Polícia Federal, Polícia Civil e do Ministério Público Federal.

A audiência de custódia começou às 12h desta sexta-feira, na Justiça Federal. Existe a possibilidade de que a transferência para o sistema prisional federal ocorra ainda até o fim do dia.
O contraventor foi detido enquanto praticava atividade física no terreno de uma mansão em Cabo Frio, na Região dos Lagos. A confirmação de que ele estava no imóvel veio por meio de imagens captadas por um drone, que monitorava o endereço desde as primeiras horas do dia.
Segundo as investigações, Adilsinho integra a cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro e é apontado como o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados no estado. A Polícia Federal afirma que ele comandava uma organização criminosa armada, com atuação inclusive fora do país, que dominava territórios para comercializar cigarros ilegais e utilizava intimidação e violência para manter o controle.
Na mesma operação, também acabou preso o policial militar Diego D’Arribada Rebello de Lima, apontado como responsável pela segurança de Adilsinho. Ele está custodiado na unidade prisional da corporação em Niterói, na Região Metropolitana do Rio.
Sobre a prisão
O nome do contraventor consta na lista dos criminosos mais procurados do Brasil, divulgada pelo Ministério da Justiça. Contra ele havia pelo menos cinco mandados de prisão em aberto.
Adilsinho é investigado como mandante do assassinato de Marco Antônio Figueiredo Martins, o Marquinhos Catiri, considerado seu rival na contravenção. Além desse caso, responde por suspeita de envolvimento nas mortes de Fábio Alamar Leite e Fabrício Alves Martins de Oliveira, pela máfia dos cigarros e a um inquérito sigiloso na Justiça Federal.
– Importante ressaltar que esse marginal é responsável por dezenas de homicídios investigados pelas nossas delegacias da capital, Baixada Fluminense e da região de Niterói e São Gonçalo. Homicídios de rivais, desafetos, contraventores, integrantes da máfia do cigarro e também de alguns policiais – disse o Secretário de Polícia Civil, Felipe Curi.
À imprensa, Curi disse ainda que a quadrilha do contraventor pode estar envolvida no assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, no dia 26 de fevereiro de 2024. “Ação extremamente ousada da quadrilha desse criminoso”, afirmou.
A prisão de Adilsinho ocorreu no contexto da Operação Libertatis, iniciada pela Polícia Federal em março de 2023 e que teve uma segunda fase em março de 2025. A investigação tem como foco combater crimes como tráfico de pessoas, trabalho em condições análogas à escravidão, fraudes comerciais, sonegação fiscal por ausência de nota fiscal e infrações contra o consumidor.
Na primeira etapa da operação, realizada há três anos, agentes federais fecharam uma fábrica clandestina de cigarros em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O imóvel funcionava no bairro Figueiras. No local, 19 paraguaios foram encontrados vivendo e trabalhando em situação degradante.
De acordo com a Polícia Federal, os trabalhadores moravam dentro da própria fábrica e eram submetidos a jornadas exaustivas: 12h por dia, todos os dias da semana, inclusive durante a madrugada, sem folga. Eles não recebiam salário, tinham a liberdade restrita e eram obrigados a trabalhar sem equipamentos de proteção.
As condições do espaço também eram precárias. Segundo a PF, o ambiente não tinha higiene adequada, havia esgoto a céu aberto, presença de animais e acúmulo de resíduos da própria produção de cigarros.
As investigações continuaram e, dois anos depois, a corporação deu início à segunda fase da Operação Libertatis. Na ocasião, 12 pessoas foram presas. Adilsinho estava entre os alvos dessa etapa, mas não foi localizado na época.
Quem é Adilsinho
Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, ficou conhecido em 2021 ao organizar uma festa luxuosa no Copacabana Palace em plena pandemia de covid-19, episódio que causou revolta pela aglomeração em meio às restrições sanitárias. Mas sua fama vai muito além das polêmicas sociais: ele é apontado como um dos nomes fortes da contravenção no Rio, com influência no comércio ilegal de cigarros.
Segundo investigações, Adilsinho comanda uma estrutura que domina o jogo do bicho em pelo menos 45 dos 92 municípios fluminenses, com atuação principal na Região Metropolitana.
Adilsinho já falou sobre o seu plano para criar uma “nova cúpula” do jogo do bicho e substituir a liderança dos bicheiros mais tradicionais do Rio.
Em diálogos interceptados pela Polícia Federal, ele afirmou que um aliado, citado como “verde e branca”, havia sugerido a formação de uma nova organização e citou o seu plano, que envolvia a renovação da Liderança, deixando de lado os antigos patronos de escolas de samba e banqueiros tradicionais, como Capitão Guimarães e Anísio Abrahão David.
Ele teria buscado se aliar a Rogério de Andrade para fortalecer sua ascensão e consolidar um novo grupo de poder na contravenção. A nova cúpula não focaria apenas no bicho, mas também no controle da máfia do cigarro e em jogos de azar online.
Ele opera um cassino on-line clandestino que movimentou R$ 130 milhões em três anos.
Carnaval
Assim como outros contraventores históricos do Rio, Adilsinho também buscou prestígio no mundo do carnaval.
Em 2024, passou a ocupar o cargo de presidente de honra do Acadêmicos do Salgueiro. A escola não confirmou se ele permanece com o título.
A Polícia Civil do Rio aponta a existência de um grupo de extermínio vinculado ao seu nome. A instituição apura ao menos 20 crimes atribuídos à atuação dessa organização, entre eles assassinatos, tentativas de homicídio e um sequestro. Em novembro de 2024, a Justiça decretou sua prisão. Ele é considerado foragido e há suspeitas de que tenha deixado o Brasil.
Adilsinho também foi indiciado como possível mandante dos assassinatos de Marco Antônio Figueiredo Martins, o Marquinhos Catiri, aliado de Bernardo Bello, e de seu segurança, Alexsandro (conhecido como Sandrinho). A investigação da Delegacia de Homicídios da Capital aponta conexões diretas entre o contraventor e o policial militar Rafael do Nascimento Dutra, apelidado de Sem Alma, acusado de liderar o grupo de extermínio supostamente a serviço do bicheiro.
O advogado de Adilsinho, Ricardo Braga, declarou que a detenção foi realizada de forma tranquila, sem nenhum tipo de ocorrência durante a ação. Ele ressaltou ainda que o cliente mantém confiança no Judiciário e pretende demonstrar sua inocência nas ações que tramitam na Justiça.
A defesa acrescentou que, no momento da prisão, Adilsinho fazia exercícios físicos dentro de casa, seguindo recomendação médica.