Nunes Marques atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), ou filho ’01’ como também é conhecido, que acusou o canal de promover desinformação coordenada na reta final do segundo turno.
Por Redação – de Brasília
Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro censurou, neste domingo, o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG). A decisão, comunicada à Meta — dona da rede social norte-americana — determinou a imediata suspensão, no prazo de três horas, do canal aliado ao PT.
Algumas horas depois, no entanto, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu, provisoriamente, a decisão de Nunes Marques, que havia determinado o bloqueio do canal de WhatsApp.

Nunes Marques atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), ou filho ’01’ como também é conhecido, que acusou o canal de promover desinformação coordenada na reta final do segundo turno. Nunes Marques agiu por via de um processo distinto do que tramitava sob análise do corregedor do TSE, Ricardo Villas Bôas Cueva, que havia adotado procedimento mais cauteloso antes de decidir sobre pedidos semelhantes.
Janones
A decisão foi publicada no fim desta manhã. O canal foi criado por Janones com o objetivo de mobilizar apoiadores de Lula e distribuir áudios, vídeos e orientações de campanha, e acumulou entre quase dois milhões e mais de 3 milhões de seguidores, conforme diferentes registros das fontes consultadas.
A petição de ’01′ acusou a estrutura de orientar seus integrantes a agir “como robôs” para replicar massivamente afirmações cuja falsidade já havia sido reconhecida pela Justiça Eleitoral. A campanha do senador alegou ainda descumprimento de obrigações que o WhatsApp se comprometeu a adotar durante o pleito. A suspensão, segundo a decisão, deveria permanecer até a homologação do resultado do segundo turno.
Justiça
Logo após a decisão, o presidente Lula criticou a decisão de Nunes Marques. Em declarações a jornalistas, Lula acusou a Justiça Eleitoral de tomar decisões tendenciosas contra sua candidatura e afirmou que o partido recorrerá à Justiça para contestar o que considera um desequilíbrio na disputa eleitoral.
— Já há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura e nós não vamos permitir que seja fechado um canal de um deputado que está pedindo para as pessoas que querem votar em mim — afirmou o presidente.
Lula também criticou a atuação do comando da Justiça Eleitoral e defendeu que o processo eleitoral transcorra sem interferências indevidas.
— Não é possível que o presidente da justiça eleitoral não tenha um comportamento civilizado, republicano, de permitir que as eleições fluam sem interferência da justiça — concluiu.