Em seu discurso, Lula sustentou que o debate sobre a jornada de trabalho está alinhado às mudanças tecnológicas e aos impactos da pressão por desempenho na sociedade contemporânea.
Por Redação, com ABr – de Seul
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a opinar, favoravelmente nesta segunda-feira, sobre o fim da chamada escala de trabalho 6×1 no Brasil e afirmou que o país precisa priorizar a qualidade de vida da população diante das transformações no mundo do trabalho. A declaração, na capital sul-coreana, ocorreu durante o encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, que reuniu autoridades e representantes do setor produtivo dos dois países.

Em seu discurso, Lula sustentou que o debate sobre a jornada de trabalho está alinhado às mudanças tecnológicas e aos impactos da pressão por desempenho na sociedade contemporânea.
— Estamos discutindo, no Brasil, o fim da chamada jornada seis por um, para assegurar que o trabalhador tenha dois dias de descanso semanal. A tecnologia nos permitiu atingir níveis inimagináveis de produtividade. É hora de pensar no bem-estar das pessoas — afirmou o presidente.
Cansaço
Ao contextualizar o cenário atual, o presidente citou o filósofo sul-coreano Byung Chul Han, ao mencionar a ideia de uma “sociedade do cansaço”, na qual as exigências profissionais afetam o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Para Lula, o diálogo constante entre governos, trabalhadores e empregadores é fundamental para construir uma economia forte e inclusiva.
O presidente também destacou, ainda, que o Brasil poderá extrair lições da trajetória econômica da República da Coreia. Ele lembrou que, nos anos 1960, o PIB per capita sul-coreano correspondia a menos da metade do brasileiro e que, atualmente, é três vezes superior. Ressaltou ainda que, enquanto o Brasil adotou políticas de orientação neoliberal nos anos 1990, a Coreia manteve investimentos estratégicos com forte participação estatal.
— Nenhum país que chegou atrasado à corrida industrial conseguiu subir a escada do desenvolvimento sem políticas públicas robustas — acrescentou.
Segundo o líder brasileiro, a experiência coreana demonstra a importância de elevar o nível educacional da população e de consolidar uma economia diversificada e tecnologicamente sofisticada.
Diversificação
Lula ressaltou que o Brasil registrou, em 2025, a maior safra de grãos de sua história, com 350 milhões de toneladas, consolidando-se como um dos principais fornecedores globais de alimentos. Apesar disso, defendeu a ampliação da base econômica nacional como estratégia para enfrentar instabilidades internacionais e o avanço do protecionismo.
O presidente classificou a Coreia do Sul como parceira estratégica nesse processo. Atualmente, o Brasil é o principal destino de investimentos sul-coreanos na América Latina. Empresas como Samsung, Hyundai e LG mantêm forte presença no mercado brasileiro. O estoque de investimentos coreanos no país soma cerca de US$ 9 bilhões, tornando a Coreia o quarto maior investidor asiático no Brasil.
Lula também elogiou, por fim, a retomada das negociações de um acordo entre o Mercosul e a República da Coreia, após a assinatura do tratado com a União Europeia. Segundo ele, o diálogo e a cooperação são a melhor resposta a tentativas de transformar o comércio internacional em instrumento de pressão.