Rio de Janeiro, 30 de Setembro de 2026

Ex-prefeita de Magé é condenada a 37 anos por fraude judicial

Segundo o MPRJ, Núbia Cozzolino liderava um grupo que retirava documentos originais de ações e os substituía por peças adulteradas.

Quarta, 30 de Setembro de 2026 às 11:54, por: CdB

Segundo o MPRJ, Núbia Cozzolino liderava um grupo que retirava documentos originais de ações e os substituía por peças adulteradas.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

A Justiça do Rio condenou a ex-prefeita de Magé e ex-deputada estadual Núbia Cozzolino a 36 anos, 11 meses e 10 dias de prisão. Segundo a sentença, ela liderava uma organização criminosa que adulterava processos judiciais de seu interesse que tramitavam na Justiça de Magé. Além dela, outras quatro pessoas também foram condenadas.

Núbia Núbia Cozzolino foi condenada a 36 anos, 11 meses e 10 dias de reclusão em regime fechado

De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o esquema funcionou entre o início de 2017 e agosto de 2018. Núbia comandava um grupo que retiravam processos físicos do cartório e substituíam documentos originais por versões adulteradas, com falsificação de assinaturas de promotores de Justiça e de um magistrado, além de carimbos e outros elementos de documentos oficiais.

As alterações atingiam ações civis públicas e de improbidade administrativa nas quais Núbia figurava como ré. Em um dos processos, por exemplo, o valor da causa foi alterado de R$ 500 mil para R$ 100 mil. Ainda segundo o MPRJ, as modificações buscavam reduzir possíveis consequências financeiras e evitar efeitos de eventuais condenações, como a inelegibilidade.

O esquema

De acordo com a sentença, advogados ligados à ex-prefeita retiravam os processos físicos do cartório e, posteriormente, devolviam os autos com folhas adulteradas no lugar dos documentos originais. O grupo produzia folhas timbradas do MPRJ e do Tribunal de Justiça, reproduzia assinaturas, falsificava carimbos funcionais e usava etiquetas para dar aparência de autenticidade às peças.

Para identificar a extensão das fraudes, o MP analisou cerca de 110 processos, reunidos em aproximadamente 750 volumes. Os documentos adulterados precisaram ser recompostos a partir dos registros originais preservados nos sistemas do Ministério Público e do Tribunal de Justiça.

A sentença reconheceu a existência de uma estrutura estável, com divisão de tarefas e atuação reiterada para beneficiar Núbia. A ex-prefeita foi condenada por quatro crimes de falsificação de documento público, quatro de supressão de documento público e por comandar organização criminosa.

Condenados

Além de Núbia, foram condenados os advogados Bruno Augusto Duarte Lourenço, José Marcos Mota Ramos, Aidê Raquel da Mata Soares Pacheco e Michele Macedo Deluca Alves.

Bruno recebeu pena de 29 anos e dois meses de reclusão por três falsificações de documentos públicos, três supressões de documentos e participação na organização criminosa.

José Marcos foi condenado a 21 anos, quatro meses e 20 dias de reclusão.

Aidê e Michele receberam, cada uma, pena de nove anos, oito meses e 20 dias de reclusão por uso de documento falso e participação na organização criminosa.

Segundo a sentença, Aidê apresentou petição inicial adulterada ao contestar uma decisão de primeira instância. Michele, por sua vez, apresentou no processo de origem uma comunicação processual acompanhada da mesma peça falsificada. A sentença determinou regime inicial fechado para os cinco condenados, mas com direito de recorrer em liberdade.

Em agosto de 2026, Núbia foi condenada em primeira instância a uma pena total de 87 anos e dois meses de prisão em três processos criminais que apuravam falsificação de documentos públicos, falsidade ideológica e supressão de documentos. As sentenças foram proferidas pela 1ª Vara Criminal de Magé.

Apesar da condenação, Núbia permaneceu em liberdade enquanto aguardava o julgamento dos recursos.

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