Pike cumpriria a pena capital na penitenciária de segurança máxima de Riverbend, em Nashville, e recebeu duas doses do sedativo pentobarbital, geralmente utilizados para eutanásia de presos condenados à morte.
Por Redação, com ANSA e RFI – de Washington
A norte-americana Christa Pike, mulher de 50 anos condenada à morte por ter assassinado uma colega de classe em 1995, sobreviveu a duas tentativas de execução com injeção letal na noite de quarta-feira.

Pike cumpriria a pena capital na penitenciária de segurança máxima de Riverbend, em Nashville, e recebeu duas doses do sedativo pentobarbital, geralmente utilizados para eutanásia de presos condenados à morte. No entanto, segundo seus advogados, o coração dela continuou batendo após a administração do medicamento, e era até possível ouvi-la roncar.
A detenta foi levada a um hospital próximo, mas seu estado de saúde é desconhecido. Em nota oficial, a defesa de Pike relatou “dificuldade de acesso às veias” durante os procedimentos, bem como “veias rompidas, pentobarbital degradado e ausência de assistência médica de emergência”. “O Estado do Tennessee falhou novamente na execução de uma pena de morte legal”, afirmaram os advogados.
Após o episódio, o governador republicano do Tennessee, Bill Lee, determinou a suspensão de todas as execuções no Estado até o fim do ano e ordenou uma revisão independente do caso. Na última segunda-feira, Lee havia rejeitado os pedidos de comutação da pena de Pike, apesar de apelos de organizações de direitos humanos, incluindo a Anistia Internacional.
A Suprema Corte dos Estados Unidos havia dado luz verde à execução na madrugada de quarta-feira, derrubando uma decisão de um tribunal federal que suspendera o procedimento em caráter de urgência para examinar possíveis circunstâncias atenuantes não consideradas no julgamento dos anos 1990.
Assassinato
Christa Pike foi condenada à morte pelo brutal assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995. As duas participavam de um programa de formação profissional em Knoxville, e o crime foi motivado por uma rivalidade amorosa.
Pike acreditava que Slemmer estava tentando roubar seu namorado de 17 anos, Tadaryl Shipp. Com o auxílio de uma amiga, Shadolla Peterson, 18, o casal atraiu a vítima para uma usina abandonada perto da Universidade do Tennessee, onde ela foi espancada até a morte.
Shipp também fez dois pentagramas no corpo de Slemmer com um estilete, enquanto Pike guardou um pedaço do crânio da colega como “souvenir” do crime.
Ela seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos. Seu namorado foi condenado à prisão perpétua, enquanto Peterson recebeu pena suspensa em troca de testemunhar contra os demais.
ONU
Uma investigação foi aberta e as execuções foram suspensas no Tennessee após o fracasso, sem precedentes nos Estados Unidos, da execução da norte-americana Christa Pike, de 50 anos.
– O caso de Christa Pike evidencia várias razões pelas quais a pena de morte deve ser abolida – afirmou o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, na rede X.
– Os longos sofrimentos, tanto físicos quanto psicológicos, provocados por várias tentativas fracassadas de execução são abjetos e cruéis. Além disso, importantes questões relativas ao respeito ao direito a um julgamento justo permanecem sem resposta – declarou.
Volker Türk também apelou às autoridades estaduais para que renunciem a qualquer nova tentativa de executar Christa Pike.
O alto-comissário manifestou ainda preocupação com o aumento do número de execuções nos Estados Unidos, acrescentando que “a pena de morte não tem lugar em nenhuma sociedade”.
Christa Pike, condenada por homicídio em 1996, deveria se tornar a primeira mulher executada em mais de dois séculos no Tennessee, um dos pouco mais de 20 Estados norte-americanos onde a pena de morte continua em vigor.
Segundo testemunhas da execução e os advogados da condenada, ela continuou respirando e roncando de forma audível após receber duas doses de pentobarbital, que deveriam causar sua morte.
A Suprema Corte dos Estados Unidos, de maioria conservadora, autorizou na quarta-feira a execução de Christa Pike, revertendo uma suspensão concedida na mesma manhã por um tribunal federal de apelações. Uma hora antes do horário inicialmente previsto para a execução, esse tribunal decidiu ganhar tempo para analisar a admissibilidade de um recurso da defesa centrado nas violências sexuais sofridas pela condenada durante a infância.
O Estado do Tennessee reconheceu pela primeira vez essas agressões em agosto, mas não alterou sua posição sobre a execução.