Rio de Janeiro, 11 de Maio de 2026

Ciro Nogueira troca de advogado, com irmão envolvido no caso Master

Ciro Nogueira troca de advogado em meio a investigações da PF sobre seu irmão e o caso do Banco Master. Entenda os desdobramentos.

Segunda, 11 de Maio de 2026 às 20:05, por: CdB

Em nota, o escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados informou que a banca não atua mais na representação de Ciro Nogueira no âmbito do caso Master.

Por Redação – de Brasília

Os rumos da investigação em curso na Polícia Federal (PF), com novos dados sobre o levantamento acerca da possível participação do senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional da legenda, no escândalo do Banco Master, foram alterados nesta segunda-feira com a renúncia do advogado no caso, Antônio Carlos de Almeida Castro, o ‘Kakay’, como é conhecido. O novo advogado contratado é Conrado Gontijo, que também tem um bom trânsito no Supremo Tribunal Federal (STF).

Ciro Nogueira troca de advogado, com irmão envolvido no caso Master | O advogado Kakay deixou a defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI)))
O advogado Kakay deixou a defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI)))

Em nota, o escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados informou que a banca não atua mais na representação de Ciro Nogueira no âmbito do caso Master. A mudança ocorre em meio aos desdobramentos da operação da PF, na semana passada e o caso passou a ter nova movimentação jurídica após a saída de ‘Kakay’ da defesa.

Segundo o advogado, a saída do escritório da defesa do senador ocorreu em comum acordo, sem qualquer indicação de conflito público entre as partes. A decisão foi apresentada como consensual pelo advogado responsável pelo escritório e o senador piauiense, até esta tarde, não havia se pronunciado diretamente sobre os acontecimentos.

Desdobramentos

Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil no governo do ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL), é uma das figuras mais influentes no Senado. A alteração em sua defesa jurídica demanda uma profunda alteração na defesa do senador, que ainda não foi informou quem assumirá a representação jurídica do processo.

Ainda nesta segunda-feira, em um novo desdobramento quanto à situação jurídica do senador, o irmão dele, engenheiro Raimundo Neto Nogueira, tornou-se alvo de uma operação da PF que investiga o suposto recebimento de recursos do Banco Master e a atuação de empresas associadas à família do parlamentar.

As investigações apontam para a participação de Raimundo Nogueira em empresas ligadas ao senador, e em contratos firmados com a prefeitura de Teresina em gestões de aliados políticos indicados pelo líder do PP. O empresário integra ou administra negócios que, desde 2009, receberam R$ 67,5 milhões da administração municipal da capital piauiense. Os contratos envolvem fornecimento de combustível, aluguel de imóveis e obras de pavimentação, no Estado.

Imóveis

Entre as empresas citadas no inquérito em curso estão a CN Petróleo, a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis e a Construtora Torre. As duas primeiras carregam referências diretas ao nome do senador. A terceira, embora não esteja formalmente vinculada a Ciro, é apresentada no Piauí como parte do chamado “Grupo Ciro Nogueira”, segundo voz corrente.

Raimundo Neto também ocupou cargo público no Piauí. Entre 2011 e 2012, presidiu a Agespisa, autarquia estadual responsável pelos serviços de água e esgoto, após indicação atribuída ao irmão.

A PF também apura uma operação financeira vultuosa entre a CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa de Ciro Nogueira na qual o irmão assinou, em abril de 2024, um “contrato de gaveta” representando a companhia na compra de parte da Green Investimentos, ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Riqueza

A empresa do senador pagou R$ 1 milhão por 30% da Green Investimentos. Para a PF, no entanto, a participação teria valor estimado em cerca de R$ 13 milhões. O balanço da Green avaliava estas ações em R$ 43 milhões, à época.

Investigadores federais levantaram que a operação pode ter permitido a Vorcaro “viabilizar transferência indireta de riqueza” a Ciro Nogueira por meio do pagamento de dividendos das ações da Green.

O senador nega todas as informações e, em nota, afirmou ser alvo de uma “tentativa de manchar minha honra pessoal”; além de vincular o caso ao período eleitoral e garantir que suportará a pressão. “Esses acontecimentos me dão mais energia para lutar por mais recursos para o nosso povo do Piauí”, concluiu.

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