A situação de Zema contrasta com a de Ronaldo Caiado (PSD), outro ex-governador no campo da extrema direita que deixou o cargo para disputar a Presidência.
Por Redação – de Belo Horizonte
Pré-candidato ao Palácio do Planalto, o ex-governador Romeu Zema (Novo) encontra-se atolado na rejeição dos eleitores no Estado que administrou por sete anos e que deveria ser o porto seguro para a aventura nacional do militante neofascista mineiro.

Dados obtidos pelo diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo, nesta segunda-feira, mostram o pífio desempenho nas pesquisas entre os próprios mineiros, fator que amplia a pressão de aliados da ultradireita para que Zema abandone a corrida ao Palácio do Planalto e busque um cargo mais adequado, no Parlamento.
A pesquisa Genial/Quaest citada na matéria mostra que Zema registra apenas 11% das intenções de voto em Minas Gerais no primeiro turno presidencial. O índice o deixa muito atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera com 32%, e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece com 27%.
O resultado expõe a dificuldade do ex-governador em transformar sua passagem pelo governo estadual em apoio eleitoral consistente. Embora tenha encerrado sua gestão com índices ainda relevantes de aprovação, o capital político não se converteu automaticamente em votos para a disputa presidencial.
Problema
A situação de Zema contrasta com a de Ronaldo Caiado (PSD), outro ex-governador no campo da extrema direita que deixou o cargo para disputar a Presidência. Em Goiás, Caiado aparece com 31% das intenções de voto, superando Lula, que tem 20%, e próximo de Flávio Bolsonaro, com 25%, ressalvado o número de eleitores de uma unidade e outra da Federação.
A direção do Novo em Minas, no entanto, tenta minimizar o problema. O presidente estadual do partido, Christopher Laguna, atribuiu parte da resistência ao discurso adotado por Zema contra o Supremo Tribunal Federal (STF).
— O Caiado não tem falado do STF. A gente está falando a verdade o tempo inteiro, isso incomoda, vai ter gente que não quer que fale — disse.
Desgaste
Especialistas, no entanto, avaliam que o desempenho do ex-governador em seu próprio Estado torna-se um dos principais obstáculos de sua campanha. O cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, observa que uma candidatura presidencial alternativa tem enorme dificuldade de prosperar sem demonstrar força regional expressiva.
— Para uma candidatura que tenta se apresentar como alternativa nacional, é muito difícil não demonstrar força expressiva no próprio Estado — pontua Nunes.
O problema de Zema, segundo o pesquisador, envolve três fatores centrais, que são o desgaste de fim de ciclo após sete anos de governo; a incapacidade de converter aprovação administrativa em voto e a forte polarização nacional entre Lula e Flávio Bolsonaro.