Rio de Janeiro, 26 de Maio de 2026

Brasil e EUA reforçam ofensiva contra PCC e Comando Vermelho

Brasil e EUA firmam acordo para troca de dados em tempo real e ações conjuntas no combate ao PCC e Comando Vermelho, visando o tráfico de armas e drogas.

Terça, 26 de Maio de 2026 às 11:53, por: CdB

Parceria entre os dois países prevê troca de dados em tempo real, rastreamento de cargas e ações conjuntas contra facções criminosas ligadas ao tráfico de armas e drogas.

Por Redação, com Agenda do Poder – de Brasília

O governo brasileiro oficializou uma nova etapa da cooperação com os Estados Unidos para fortalecer o combate ao tráfico internacional de armas e drogas. O acordo, firmado em abril, tem ampliado o compartilhamento de informações entre autoridades dos dois países e busca intensificar o enfrentamento às organizações criminosas transnacionais, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). A atualização da parceria estratégica foi aprofundada pelo jornal Valor Econômico.

Brasil e EUA reforçam ofensiva contra PCC e Comando Vermelho | O promotor Lincoln Gakiya, do MP São Paulo, é contra o acordo entre Brasil e EUA
O promotor Lincoln Gakiya, do MP São Paulo, é contra o acordo entre Brasil e EUA

A iniciativa surge após meses de pressão diplomática de Washington, que cobra medidas mais rígidas diante da expansão internacional das facções brasileiras. O avanço da atuação criminosa fora do país tem preocupado autoridades americanas, principalmente após investigações apontarem presença de integrantes do PCC em atividades ligadas ao tráfico de drogas em estados como Massachusetts.

O novo acordo conecta a Receita Federal à Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos, criando um sistema permanente de troca de dados em tempo real para identificar cargas suspeitas ainda na origem ou durante o transporte internacional.

Parceria

Entre os mecanismos previstos está o Projeto MIT, que integra equipes brasileiras e americanas em operações coordenadas de inteligência e fiscalização. Além disso, o sistema Desarma passa a concentrar informações sobre armas, munições, peças e materiais considerados sensíveis pelas autoridades de segurança.

A intensificação da cooperação foi anunciada agora em meio ao aumento das apreensões de produtos ilegais. Dados apresentados pelo governo apontam que mais de 1,1 mil armas vindas dos Estados Unidos foram apreendidas em um período de 12 meses. Apenas no primeiro trimestre de 2026, cerca de 1,5 tonelada de drogas proveniente do território americano foi interceptada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a parceria prevê ações concretas para ampliar o combate ao crime organizado internacional.

– Vamos intensificar o combate ao tráfico internacional de armas e drogas com ações concretas. A parceria prevê compartilhamento de dados em tempo real, rastreamento rigoroso de cargas e atuação conjunta para interceptar remessas ilícitas – declarou Lula em publicação nas redes sociais.

Pressão dos EUA

Apesar do avanço da cooperação, autoridades americanas continuam discutindo a possibilidade de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida abriria espaço para sanções financeiras internacionais e bloqueio de ativos ligados às facções.

O tema ganhou força nos últimos meses em Washington como parte de uma estratégia mais ampla de combate ao crime organizado transnacional. Em comunicado oficial, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil afirmou que a ampliação da parceria fortalece a capacidade dos dois países de compartilhar informações e coordenar operações de segurança.

Mesmo diante da aproximação entre os governos, o presidente Lula já demonstrou resistência à pressão americana para enquadrar as facções como grupos terroristas.

Governo brasileiro defende autonomia no combate ao crime.

Dias após o anúncio do acordo, Lula voltou a afirmar que o enfrentamento ao crime organizado deve ser conduzido pelo próprio Brasil. Segundo o presidente, o país já adotou medidas mais rígidas por meio da chamada Lei Antifacção, recentemente aprovada.

— Essa é uma guerra que é nossa, não é dos Estados Unidos — declarou o presidente.

O posicionamento também encontra respaldo em parte do Ministério Público. O promotor Lincoln Gakiya, considerado um dos principais especialistas no combate ao PCC, avalia que classificar facções como organizações terroristas não garante resultados práticos no enfrentamento ao tráfico.

Segundo Gakiya, os Estados Unidos já adotaram medidas semelhantes contra grupos criminosos latino-americanos sem conseguir eliminar o problema do narcotráfico em território americano.

Possíveis impactos financeiros preocupam especialistas.

O promotor também alertou para possíveis consequências econômicas e institucionais da classificação das facções como grupos terroristas. Pela legislação americana, a medida permitiria bloqueios bancários, congelamento de bens e sanções financeiras não apenas contra integrantes das organizações criminosas, mas também contra empresas e pessoas ligadas a elas.

Além disso, Gakiya destacou que a legislação dos Estados Unidos prevê a possibilidade de operações internacionais em determinadas circunstâncias, o que amplia o debate sobre soberania e cooperação internacional.

Apesar do fortalecimento da parceria bilateral, a Casa Branca ainda não indicou publicamente se considera o novo acordo suficiente para atender às demandas americanas no combate ao crime organizado transnacional.

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