Bolsonaro manda e emissora acata ordem para afastar um de seus apresentadores
Villa, porta-voz da extrema-direita no processo que desaguou no golpe contra a presidenta deposta Dilma Rousseff (PT), em 2016, saiu do tom contra Bolsonaro. O apresentador foi demitido, nesta terça-feira.
Villa, porta-voz da extrema-direita no processo que desaguou no golpe contra a presidenta deposta Dilma Rousseff (PT), em 2016, saiu do tom contra Bolsonaro. O apresentador foi afastado, nesta terça-feira.
14h42 - de São Paulo
Aplaudido pela direita e a extrema direita, o alto conceito do apresentador da Jovem Pan Marco Antonio Villa não foi suficiente para mantê-lo no emprego. Pressões do Palácio do Planalto junto à direção da emissora, que nega a informação da mídia especializada, teriam levado ao seu afastamento, nesta terça-feira. O fato ocorre após severas críticas de Villa à gestão do atual presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), e simpatizantes do governo. Entre os apoiadores atingidos pelas críticas estão Ernesto Araújo (Relações Exteriores), e o astrólogo Olavo de Carvalho, guru de Bolsonaro.
Villa, comentarista de extrema direita da Rádio Jovem Pan, teria sido atingido por um petardo bolsonarista
Villa, porta-voz da extrema-direita no processo que desaguou no golpe contra a presidenta deposta Dilma Rousseff (PT), em 2016, saiu do tom contra Bolsonaro. Uma das críticas do apresentador ao governo aconteceu em março, quando o jornalista rechaçou a ideia de liberar o acesso ao Brasil de norte-americanos sem visto. Nesta manhã, Villa evitou dizer que Bolsonaro teria, diretamente, influído no seu afastamento por 30 dias.
— Não sei se volto após esse período — disse.
Irresponsabilidade
Villa também não poupou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, para quem brasileiro que migra ilegalmente para os Estados Unidos é uma vergonha.
— A questão do visto. Sem reciprocidade? Quer dizer que (norte-)americano entra no Brasil sem visto e o brasileiro (não pode fazer o mesmo)? Aí, o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Eduardo Bolsonaro, diz que o brasileiro que é imigrante clandestino nos EUA é uma vergonha. Vergonha é você, Eduardo, que põe boné do Trump. Você é uma vergonha, não o brasileiro que vai lá trabalhar. É inacreditável a irresponsabilidade — protestou Villa.
O apresentador também já afirmou que o chanceler Ernesto Araújo está a serviço de uma potência estrangeira.
— Quando eu falo de política externa, penso no nosso Brasil. A recuperação econômica não pode ser prejudicada pela irresponsabilidade de uma política externa a serviço de interesses antinacionais e que coloquem em risco a segurança do Brasil — disse ele em comentário publicado no site da emissora no dia 14 deste mês.
Matéria atualizada nesta quarta-feira, 29 de maio de 2019, às 11h50.