O Ministro da Economia da Saxônia, Dirk Panter, por sua vez, propôs formalmente fabricantes chineses de automóveis como parceiros na produção na fábrica da Volkswagen em Zwickau.
Por Redação, com Reuters – de Berlim
A montadora alemã Volkswagen, que enfrenta uma prolongada crise de vendas, reduziu a produção, reviu os planos de demissões e tem fechado unidades em alguns países. A nova fase da estratégia de recuperação pode envolver a cessão de unidades ociosas na própria Alemanha para fabricantes chinesas de carros elétricos.

Segundo relatou o jornal alemão Handelsblatt, provavelmente a produção de modelos chineses em fábricas alemãs – um tabu no país — está se tornando um cenário cada vez mais concreto. O jornal disse que o CEO do Grupo VW, Oliver Blume, recentemente causou alvoroço público com essas considerações e acrescentou que a gestão atual da companhia tem mantido conversas com montadoras chinesas sobre possíveis cooperações em fábricas alemãs desde 2024.
Oportunidade
O Ministro da Economia da Saxônia, Dirk Panter, por sua vez, propôs formalmente fabricantes chineses de automóveis como parceiros na produção na fábrica da Volkswagen em Zwickau.
— É melhor desenvolver ainda mais a competência industrial da VW na Saxônia e garantir a produção do que lutar uma batalha perdida e perder valor. Temos que acompanhar os tempos. Portanto: a China é uma oportunidade para Zwickau — disse o político do SPD no tabloide alemão ‘Bild’.
A ideia de uma joint venture entre a Volkswagen e um fabricante chinês seria usar uma ou mais linhas de produção atualmente subutilizadas e fabricar veículos na Saxônia. O pré-requisito, segundo o ministro, é o cumprimento de regras e padrões europeus claros.
— Nosso parâmetro não é a ideologia, mas a sustentabilidade industrial e empregos seguros na VW na Saxônia — acrescentou.
Resultado
Em Zwickau, a VW produz apenas carros totalmente elétricos, como o ID.3 e o Audi Q4 e-tron. Segundo a empresa, 8 mil pessoas trabalhavam na fábrica, no fim do ano passado.
O Grupo Volkswagen, na verdade, está enfrentando uma crise há anos. Nos meses de janeiro a março de 2026, o lucro após impostos da companhia caiu 28,4%, para 1,56 bilhão de euros. O dado é ainda mais preocupante porque o resultado no 1° tri do ano passado já apresentava queda de 41% ante o mesmo período do ano passado.
As vendas globais diminuíram 2,5%, para 75,7 bilhões de euros, motivada pela conjuntura de guerras, tensões geopolíticas, barreiras comerciais, regulamentações mais rígidas e uma concorrência feroz, segundo o CEO Oliver Blume. Os números de vendas são fracos especialmente na China e nos EUA e o crescimento na Europa não conseguiu compensar isso.