Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Trump impulsiona matança de lobos ameaçados de extinção

Numa ordem executiva da semana passada, Trump determinou um prazo de 90 dias para "determinar se o lobo-cinzento e o lobo-mexicano cumpriram os critérios de recuperação necessários" para rebaixar ou retirar seu status de proteção.

Domingo, 13 de Setembro de 2026 às 14:53, por: CdB

Numa ordem executiva da semana passada, Trump determinou um prazo de 90 dias para “determinar se o lobo-cinzento e o lobo-mexicano cumpriram os critérios de recuperação necessários” para rebaixar ou retirar seu status de proteção.

Por Redação, com Reuters – de Washington

O governo do presidente Donald Trump, nos Estados Unidos, vem impulsionando a retirada das proteções para lobos previstas pela legislação sobre espécies ameaçadas. A posição da Casa Branca tem provocado a indignação de conservacionistas por colocar em risco a recuperação dos predadores, que já estiveram à beira da extinção não faz muito tempo.

lobo cinzento
O lobo cinzento é um dos espécimes ameaçados de extinção, nos EUA

Numa ordem executiva da semana passada, Trump determinou um prazo de 90 dias para “determinar se o lobo-cinzento e o lobo-mexicano cumpriram os critérios de recuperação necessários” para rebaixar ou retirar seu status de proteção. A medida seria destinada a ajudar pecuaristas a combater as perdas de gado.

Caso seja determinado que os critérios de recuperação foram cumpridos, deverá ser iniciado o processo para retirá-los da lista de espécies ameaçadas. Neste caso, espera-se ainda que o governo federal se reuniria com autoridades estaduais para incentivá-las a aprovar medidas semelhantes e flexibilizar as normas para matar os lobos.

 

Extermínio

Durante um encontro com pecuaristas no Salão Oval, Trump pareceu confuso sobre o alcance da ordem e perguntou:

— Mas eles já podem ser abatidos a tiros a partir de hoje?.

A secretária da Agricultura, Brooke Rollins, corrigiu-o e brincou:

— O secretário Burgum precisa fazer um pouco de mágica.

 

Recuperação

Acredita-se que, no passado, ao menos um quarto de milhão de lobos percorressem o território de costa a costa dos EUA, antes que os colonos europeus empreendessem campanhas de extermínio que se estenderam até o século XX.

Durante seu primeiro mandato, Trump retirou o lobo-cinzento da lista de espécies protegidas, mas não o lobo-mexicano, que se encontra em maior risco de extinção. A ordem executiva deste mês, ainda assim, mencionou ambas as espécies.

O governo do ex-presidente Joe Biden, antecessor de Trump, defendeu nos tribunais a decisão de Trump de retirar o lobo-cinzento da lista. Mas acabou perdendo o caso em 2022, e a política foi revertida.

O Centro de Conservação de Lobos estima que existam cerca de 7,6 mil lobos-cinzentos no território continental dos Estados Unidos. Por sua vez, a Equipe Interinstitucional de Campo para o Lobo-Mexicano estimou a população de lobos-mexicanos em 317 espécimes no fim de 2025.

 

Críticas

Ben Greuel, responsável pela campanha sobre vida selvagem do Sierra Club, descreve a medida como uma manobra destinada a apaziguar os pecuaristas. O setor estaria irritado com a decisão do governo de aumentar temporariamente as importações de carne bovina sujeitas a tarifas mais baixas.

— Transformar as proteções dos lobos em uma ferramenta de controle de danos políticos não fará nada para reduzir as contas do supermercado nem para ajudar as famílias que enfrentam dificuldades com o custo de vida — afirmou.

Os conservacionistas também argumentam que os pecuaristas já podem receber compensações pelas perdas de gado causadas por lobos por programas estaduais e federais. Este último sistema cobre até 100% das perdas em casos de ataques confirmados, em virtude da lei republicana conhecida como ‘One Big Beautiful Bill Act’.

 

Ameaças

O governo Trump também finalizou em julho três normas destinadas a enfraquecer a emblemática ‘Lei de Espécies Ameaçadas de Extinção’.

Uma delas eliminou a definição histórica de “dano”, que incluía a destruição do habitat. Outra revogou uma norma que estendia automaticamente as proteções para espécies ameaçadas de extinção àquelas classificadas como “ameaçadas”.

A terceira obriga o governo a levar em consideração as implicações econômicas e de segurança nacional ao decidir se uma determinada área deve ser designada como “habitat crítico”.

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