Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Rio gera 4,5 milhões de litros de chorume por dia

Levantamento da Universidade Veiga de Almeida identificou ainda 803 milhões de litros do líquido armazenados em 135 lagoas operacionais no Estado.

Terça, 08 de Setembro de 2026 às 12:55, por: CdB

Levantamento da Universidade Veiga de Almeida identificou ainda 803 milhões de litros do líquido armazenados em 135 lagoas operacionais no Estado.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

O Estado do Rio de Janeiro gera aproximadamente 4,5 milhões de litros de chorume por dia, segundo um estudo realizado pelo Mestrado Profissional em Ciências do Meio Ambiente da Universidade Veiga de Almeida (UVA). O volume equivale a quase duas piscinas olímpicas a cada 24h.

Rio produz 4,5 milhões de litros de chorume por dia, aponta estudo

A pesquisa foi elaborada com base em dados de 2025 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA) e analisou 18 aterros sanitários do estado. O levantamento também identificou cerca de 803 milhões de litros de chorume armazenados em 135 lagoas operacionais distribuídas pelas unidades.

O chorume, também chamado de lixiviado, é o líquido formado durante a decomposição dos resíduos e pela passagem de água, principalmente da chuva, pela massa de lixo depositada nos aterros. Por apresentar diferentes contaminantes, seu armazenamento, tratamento e destinação exigem controle ambiental e acompanhamento permanente.

Cinco aterros concentram 75% da geração.

O estudo aponta uma concentração significativa da geração de chorume em poucas unidades. Os 18 aterros analisados são responsáveis pelo recebimento de aproximadamente 97% dos resíduos urbanos registrados na base utilizada pela pesquisa.

Dentro desse conjunto, apenas cinco aterros concentram cerca de 75% de todo o chorume gerado no Estado.

Para o professor e pesquisador Carlos Canejo, autor do estudo, os números mostram a necessidade de considerar de forma conjunta as diferentes etapas envolvidas na gestão do lixiviado.

Segundo ele, o sistema envolve desde a geração e o armazenamento até o tratamento e a destinação final do líquido. A segurança da operação depende, ainda, da articulação entre fiscalização, logística, capacidade de tratamento e monitoramento.

O tratamento pode ocorrer dentro ou fora dos aterros.

De acordo com o levantamento, existem diferentes estratégias para tratar o chorume produzido nos aterros. Parte do líquido passa por sistemas instalados nas próprias unidades, enquanto outra parcela é retirada por caminhões e encaminhada para instalações externas, incluindo estações de tratamento de esgoto.

O tratamento realizado dentro dos aterros precisa acompanhar a geração contínua do lixiviado, além das variações de volume e composição do líquido. Já quando o destino é uma unidade externa, o transporte passa a integrar a operação, exigindo retirada regular dos grandes volumes armazenados.

Um dos aterros analisados pela pesquisa, por exemplo, encaminhou mais de 1,3 bilhão de litros de chorume para tratamento externo entre 2019 e 2023. Cerca de 77% desse volume teve como destino uma estação de tratamento de esgoto localizada no município do Rio.

Tratamento

O chorume apresenta características diferentes das encontradas no esgoto sanitário convencional. Por isso, o encaminhamento para estações de tratamento exige avaliação da capacidade da unidade que receberá o material, além de controle dos volumes e acompanhamento do funcionamento do sistema.

A legislação estadual estabelece condições para esse tipo de procedimento. A Lei Estadual nº 9.055/2020 proíbe o tratamento de chorume bruto em estações convencionais de esgoto, exceto nos casos em que exista pré ou pós-tratamento capaz de garantir o cumprimento dos padrões ambientais.

Tecnologia de membranas é usada na maior parte do tratamento.

A pesquisa também avaliou as tecnologias utilizadas nos sistemas de tratamento instalados nos próprios aterros.

Segundo o levantamento, aproximadamente 86% da capacidade identificada está associada a sistemas de separação por membranas. A tecnologia permite separar parte dos contaminantes do efluente, produzindo uma corrente com menor concentração dessas substâncias.

O processo, porém, também gera um material concentrado que reúne parte dos contaminantes retirados durante a filtragem. A destinação desse concentrado é apontada pelo estudo como um dos desafios técnicos relacionados ao uso das membranas.

Entre as alternativas utilizadas no setor está a recirculação controlada desse material para a massa de resíduos. A prática depende das condições específicas de cada aterro e precisa levar em conta fatores como o balanço hídrico, a capacidade das lagoas e as condições de operação da unidade.

Chuva

A quantidade de líquido armazenada nos aterros também faz com que períodos de chuva intensa sejam um fator de atenção. A entrada de água nas áreas de disposição de resíduos pode aumentar a produção de lixiviado.

Quando as estruturas de armazenamento, tratamento ou transporte estão próximas do limite de capacidade, eventuais problemas operacionais ou logísticos podem elevar os riscos ambientais.

O estudo destaca que a concentração da geração de chorume em poucos aterros, a existência de 135 lagoas operacionais e a utilização de diferentes métodos de tratamento reforçam a necessidade de planejamento integrado.

O levantamento aponta ainda que, independentemente da tecnologia empregada ou de o tratamento ocorrer dentro ou fora dos aterros, o manejo do chorume exige controle operacional, monitoramento contínuo e cumprimento da legislação ambiental.

Segundo os pesquisadores, o acompanhamento permanente por parte dos operadores e dos órgãos ambientais é necessário para reduzir o risco de que problemas na gestão do chorume provoquem impactos sobre o solo e os recursos hídricos do Estado.

Edições digital e impressa