Os detidos integram o núcleo 4, que disseminava notícias falsas para favorecer a tentativa de golpe.
Por Redação, com CartaCapital – de Brasília
O Exército prendeu, nesta sexta-feira, três militares condenados pelo Supremo Tribunal Federal por participação no núcleo 4 da trama golpista. As prisões ocorrem após o ministro Alexandre de Moraes determinar o trânsito em julgado do caso, encerrando a possibilidade de novos recursos e autorizando o início do cumprimento definitivo das penas.

Foram presos o major da reserva Ângelo Denicoli, detido em Vila Velha (ES); o subtenente Giancarlo Rodrigues; e o tenente-coronel Guilherme Almeida, ambos em Brasília. Como militares, eles cumprem pena em unidades do próprio Exército, conforme prevê a legislação.
Denicoli recebeu a maior pena, de 17 anos, enquanto Rodrigues foi condenado a 14 anos e Almeida a 13 anos e 6 meses.
Núcleo 4
O núcleo 4 é apontado pelas investigações como responsável por disseminar informações falsas com o objetivo de gerar instabilidade institucional e favorecer uma ruptura democrática após as eleições de 2022, que resultaram na derrota do então presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo a Procuradoria-Geral da República, o grupo atuou na produção e difusão de conteúdos contra o sistema eleitoral, instituições e autoridades, em alguns casos com uso da estrutura da Abin.
Ao todo, sete pessoas foram condenadas nesse núcleo. Além dos três militares presos, também integram o grupo:
Reginaldo Vieira de Abreu, coronel do Exército, condenado a 15 anos e 6 meses de prisão, atualmente foragido nos Estados Unidos;
Carlos César Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal, condenado a 7 anos e 6 meses em regime semiaberto, considerado foragido e com paradeiro no Reino Unido;
Marcelo Araújo Bormevet, agente da Polícia Federal, condenado a 14 anos e 6 meses, que já estava preso desde 2024 e passou agora a cumprir pena definitiva;
Ailton Gonçalves Moraes Barros, ex-major do Exército, condenado a 13 anos e 6 meses de prisão, também está preso desde dezembro de 2025.
Além das condenações individuais, o STF determinou o pagamento de R$ 30 milhões por danos morais coletivos, a inelegibilidade dos réus e, no caso de militares, o envio do processo ao Superior Tribunal Militar para análise sobre a perda do posto e da patente.