Rio de Janeiro, 10 de Abril de 2026

Três militares são presos pelo Exército por plano golpista

Três militares são detidos pelo Exército após condenação do STF por participação em núcleo golpista que disseminava notícias falsas para desestabilizar a democracia.

Sexta, 10 de Abril de 2026 às 14:35, por: CdB

Os detidos integram o núcleo 4, que disseminava notícias falsas para favorecer a tentativa de golpe.

Por Redação, com CartaCapital – de Brasília

O Exército prendeu, nesta sexta-feira, três militares condenados pelo Supremo Tribunal Federal por participação no núcleo 4 da trama golpista. As prisões ocorrem após o ministro Alexandre de Moraes determinar o trânsito em julgado do caso, encerrando a possibilidade de novos recursos e autorizando o início do cumprimento definitivo das penas.

Três militares são presos pelo Exército por plano golpista | O tenente-coronel Guilherme Almeida; o subtenente Giancarlo Rodrigues; e o major Ângelo Denicoli
O tenente-coronel Guilherme Almeida; o subtenente Giancarlo Rodrigues; e o major Ângelo Denicoli

Foram presos o major da reserva Ângelo Denicoli, detido em Vila Velha (ES); o subtenente Giancarlo Rodrigues; e o tenente-coronel Guilherme Almeida, ambos em Brasília. Como militares, eles cumprem pena em unidades do próprio Exército, conforme prevê a legislação.

Denicoli recebeu a maior pena, de 17 anos, enquanto Rodrigues foi condenado a 14 anos e Almeida a 13 anos e 6 meses.

Núcleo 4

O núcleo 4 é apontado pelas investigações como responsável por disseminar informações falsas com o objetivo de gerar instabilidade institucional e favorecer uma ruptura democrática após as eleições de 2022, que resultaram na derrota do então presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo a Procuradoria-Geral da República, o grupo atuou na produção e difusão de conteúdos contra o sistema eleitoral, instituições e autoridades, em alguns casos com uso da estrutura da Abin.

Ao todo, sete pessoas foram condenadas nesse núcleo. Além dos três militares presos, também integram o grupo:

Reginaldo Vieira de Abreu, coronel do Exército, condenado a 15 anos e 6 meses de prisão, atualmente foragido nos Estados Unidos;

Carlos César Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal, condenado a 7 anos e 6 meses em regime semiaberto, considerado foragido e com paradeiro no Reino Unido;

Marcelo Araújo Bormevet, agente da Polícia Federal, condenado a 14 anos e 6 meses, que já estava preso desde 2024 e passou agora a cumprir pena definitiva;

Ailton Gonçalves Moraes Barros, ex-major do Exército, condenado a 13 anos e 6 meses de prisão, também está preso desde dezembro de 2025.

Além das condenações individuais, o STF determinou o pagamento de R$ 30 milhões por danos morais coletivos, a inelegibilidade dos réus e, no caso de militares, o envio do processo ao Superior Tribunal Militar para análise sobre a perda do posto e da patente.

Edições digital e impressa