Rio de Janeiro, 10 de Abril de 2026

Indígenas exibem orgulho com faixas e bandeiras em marcha

Mais de 8 mil indígenas participam do Acampamento Terra Livre, exigindo demarcação de terras e políticas públicas em Brasília. Conheça suas histórias e lutas.

Sexta, 10 de Abril de 2026 às 11:53, por: CdB

Ao menos 8 mil pessoas participam da 22ª edição do Acampamento Terra Livre até este sábado . 

Por Redação, com ABr – de Brasília

Depois de viajar 10 dias de ônibus de Tarauacá (AC) a Brasília, a trabalhadora rural Claudia Kaxinawá, de 21 anos, do povo Huni Kuim e moradora da aldeia Mabayá, caminhou animada os quase quatro quilômetros do Acampamento Terra Livre, onde está nesta semana, até a Esplanada dos Ministérios.

Indígenas exibem orgulho com faixas e bandeiras em marcha | Na Esplanada dos Ministérios, eles exigiram proteção e demarcação
Na Esplanada dos Ministérios, eles exigiram proteção e demarcação

Quando chegou ao Congresso Nacional, subiu ao ombro de um amigo para segurar a ponta mais alta de uma bandeira que pedia a proibição da exploração de empresas mineradoras em terras indígenas. “Tenho muito orgulho de levar essa bandeira e lutar pelo meu povo. Nós jovens precisamos estar engajados”, afirma.

Contra mineração

Na marcha, também segurava a bandeira da Aliança dos Povos pelo Clima a liderança indígena Sara Lima, de 42 anos, do povo pataxó. Ela cobriu as mãos de corante vermelho para denunciar os impactos do projeto da mineradora Belo Sun sobre a Volta Grande do Xingu e territórios tradicionais da região em que vive em Mato Grosso.

Faixas com frases como “Congresso: escolha entre a vida e o ouro” foram carregadas pelo caminho. A manifestação reuniu indígenas atingidas pelos impactos da instalação da Usina de Belo Monte e também ameaçadas agora pela possível chegada da mineradora. “Impactam fauna e flora de nossa região”.

“A gente não quer o projeto Belo Sun, pois já temos outro, chamado Belo Monte, que destruiu quase 80% do nosso território. A gente não tem mais o que comer porque não há reprodução de peixe”, disse Sara.

Políticas públicas

Pela Esplanada dos Ministérios, também carregava uma faixa o agente de saneamento do povo tupi Naron da Silva, de 22 anos, morador da aldeia Tapirema, onde vivem 25 famílias. O grupo está no território indígena Piaçaguera, entre Peruíbe e Itanhaém (SP), em uma área de Mata Atlântica. Ele sonha fazer um curso superior em psicologia para colaborar com a saúde mental de seu povo.

 “Viemos para Brasília para protestar e pedir políticas públicas. Nossa terra ainda tem a ameaça de muitos grileiros”.  O pedido de políticas públicas inclui a dificuldade que a comunidade tem com o abastecimento regular de água. “Água é tudo para a gente”.

Educação

Na caminhada à frente dos indígenas do litoral paulista, um grupo da comunidade Gueguês, que fica a seis quilômetros da cidade de Uruçuí (PI) também pedia melhores condições de vida. Entre os pedidos, estão mais unidades de ensino, incluindo uma faculdade. A estudante Marilene de Jesus, de 37 anos, é a primeira pessoa de sua família a chegar ao ensino superior. 

Ela estuda licenciatura intercultural no Instituto Federal do Piauí (IFPI) Está no começo do curso e quer se tornar educadora para ensinar os mais novos a terem orgulho da história do seu povo. “Não imaginava que iria me tornar professora, mas é preciso”, afirma a estudante que levava a bandeira. 

Ao final da marcha, os indígenas que  entregaram uma carta a representantes do Executivo reconhecendo avanços, mas pedindo maior celeridade das demarcações de terra, além de outras exigências. 

Em  outro documento, as lideranças apresentaram ao Itamaraty proposta de criação de áreas livre de exploração de petróleo e gás. Ao menos 8 mil pessoas participam da 22ª edição do Acampamento Terra Livre até este sábado . 

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