Rio de Janeiro, 05 de Maio de 2026

Alto comando do Exército planeja mobilizar tropas, em todo país

Alto Comando do Exército Brasileiro avalia mobilizar 20% das tropas em prontidão diante da instabilidade geopolítica global e crescimento dos conflitos internacionais.

Segunda, 04 de Maio de 2026 às 20:25, por: CdB

O documento parte da avaliação de que o ambiente geopolítico está mais instável e da tendência consistente de ampliação dos investimentos em defesa, ao redor do mundo.

Por Redação – de Brasília

O Alto Comando do Exército avalia colocar 20% da tropa em prontidão, de imediato, ao mesmo tempo em que adianta uma série de políticas de transformação para a mobilizar brigadas em tempo real, com o uso de tecnologias emergentes; além da reorganização da força terrestre para responder a ameaças externas diante um cenário de extensa conflagração internacional.

Alto comando do Exército planeja mobilizar tropas, em todo país | O Brasil tem mais de 10 mil tropas mobilizadas na fronteira com a Venezuela
O Brasil tem mais de 10 mil tropas mobilizadas na fronteira com a Venezuela

Setores estratégicos das forças terrestres concluem, nos próximos dias, o mapeamento de riscos e das ameaças à defesa nacional para ser apresentado aos generais, segundo apurou reportagem do canal norte-americano de TV CNN. A política foi formalmente aprovada em portaria assinada pelo comandante Tomás Paiva e indica mudanças no formato institucional, nas capacidades militares, na doutrina e na formação dos integrantes do Exército.

O documento parte da avaliação de que o ambiente geopolítico está mais instável e da tendência consistente de ampliação dos investimentos em defesa, ao redor do mundo. A política bélica em curso considera “imperativo” que o Brasil acompanhe o movimento, em meio às guerras na Ucrânia e no Oriente Médio e à multiplicação de conflitos em diferentes regiões, inclusive em países vizinhos ao Brasil.

 

Conflitos

Ao todo, mais de 30 países registraram conflitos em seus territórios desde 2024, atingindo áreas que concentram 45% da população global, conforme estudo divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), em suas reuniões de primavera em Washington. O Fundo também levantou que cerca de 1,9 milhão de pessoas morreram em batalhas na última década e meia, em um cenário de rearmamento generalizado.

No caso brasileiro, os gastos de R$ 30 bilhões em seis anos para a modernização das Forças Armadas foram retirados do arcabouço fiscal. Ainda assim, o montante é considerado limitado diante das necessidades de reaparelhamento militar. O diagnóstico do Exército ressalta que o aumento de recursos, por si só, não resolve todos os gargalos.

“A atual demanda global por materiais de emprego militar supera a capacidade produtiva existente”, afirma a nova política de transformação.

 

Dissuasão

O documento associa o cenário à necessidade de fortalecer a Base Industrial de Defesa, com o objetivo de assegurar capacidades críticas para a proteção do país. A dificuldade já aparece em áreas práticas, como a renovação de estoques de munições no mercado internacional, pressionado pela alta demanda.

Um dos pontos centrais da proposta será manter ao menos 20% das tropas em “elevado grau” de prontidão para uma eventual resposta imediata a ameaças externas. A lógica é descrita por militares envolvidos na formulação da política como uma forma de “dissuasão assimétrica”.

A estratégia parte da hipótese de que o Brasil pode enfrentar adversários mais bem equipados. Para tanto, a Força conta com efetivos capazes de se deslocar para qualquer região do território nacional e oferecer uma reação inicial para conter, neutralizar ou reduzir ameaças.

 

Reorganização

De todas as 25 brigadas atualmente operativas, cinco deverão receber essa característica. Fontes militares citadas pela reportagem adicionam que a previsão inicial inclui a Brigada Paraquedista, no Rio de Janeiro; a Brigada Aeromóvel, em Caçapava (SP); a Brigada de Infantaria de Selva, em Marabá (PA); a Brigada de Infantaria Mecanizada, em Campinas (SP); e a Brigada de Cavalaria Blindada, em Ponta Grossa (PR).

A transformação também prevê uma reorganização das tropas em quatro modelos de atuação. As forças de emprego imediato ficarão voltadas à resposta inicial, em razão da localização estratégica, como a proximidade da faixa de fronteira ou de áreas com potencial de crise.

As forças de emprego de prontidão deverão atuar em qualquer parte do território nacional, com poder de combate para enfrentar ameaças por meio de operações ofensivas. Já as forças de emprego continuado serão direcionadas a situações de conflito prolongado e de larga escala, com foco em defesa territorial, formação da reserva mobilizável e apoio ao Estado.

 

Tecnologia

O quarto eixo da nova política de segurança nacional reúne as forças de emprego no multidomínio, preparadas para operar em diferentes ambientes e integrar módulos da Força Terrestre Componente ou de um Comando Conjunto.

O diagnóstico do Exército destaca que os conflitos atuais são marcados pela “aceleração exponencial da inovação tecnológica” e pela “proliferação de sensores, sistemas não tripulados (drones) e fogos de precisão”.

A política também observa que a América do Sul ganha relevância em um mundo multipolar por reunir recursos naturais altamente visados por potências estrangeiras. Outro ponto citado é o avanço e a sofisticação do crime organizado transnacional, que impõem desafios adicionais à soberania e à governança regional.

“Nesse contexto, infere-se que a efetividade no combate está diretamente associada à superioridade de informações, à letalidade, à sustentação, à proteção e à mobilidade, nos níveis tático, operacional ou estratégico”, conclui o documento.

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