Rio de Janeiro, 10 de Abril de 2026

Polícia cumpre 96 mandados contra organização criminosa

Operação Eixo da Polícia Civil do DF cumpre 96 mandados, bloqueia até R$ 1 bilhão e revela esquema de tráfico e lavagem de dinheiro interestadual.

Sexta, 10 de Abril de 2026 às 12:48, por: CdB

Ação da Polícia Civil do DF mobiliza 200 agentes, prevê até R$ 1 bilhão em bloqueios e aponta esquema interestadual de tráfico e lavagem de dinheiro.

Por Redação, com CartaCapital – de Brasília

A Polícia Civil do Distrito Federal realizou, na manhã desta sexta-feira, a Operação Eixo com o objetivo de desarticular uma organização criminosa investigada por tráfico interestadual de drogas, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ao todo, foram cumpridos 96 mandados judiciais no DF e em seis Estados, com apoio de cerca de 200 policiais. 

Polícia cumpre 96 mandados contra organização criminosa | Uma única conta investigada movimentou mais de R$ 79 milhões em curto período
Uma única conta investigada movimentou mais de R$ 79 milhões em curto período

As ordens incluem 40 prisões temporárias e 56 mandados de busca e apreensão. Também foram determinadas medidas patrimoniais contra 49 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, como bloqueio de até R$ 1 bilhão em contas, indisponibilidade de bens, sequestro de veículos, imóveis e criptoativos. 

A operação ocorre em regiões administrativas do DF, como Gama, Samambaia, Sobradinho e Vicente Pires, e em cidades de Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Amazonas, Paraná e Santa Catarina. 

As investigações começaram em 2024 e apontaram a existência de uma estrutura criminosa considerada sofisticada, voltada ao abastecimento do mercado de drogas no Distrito Federal e à ocultação de recursos ilícitos. 

Segundo a polícia, há indícios de articulação com grupos criminosos de outros estados, especialmente do Rio de Janeiro. Durante a apuração, foi identificada a ida de investigados do DF a uma comunidade carioca para treinamento com armas de grosso calibre, como fuzis. 

Apesar dessas conexões, não foram identificados indícios de instalação formal dessas facções no Distrito Federal. 

A investigação também revelou a atuação de dois núcleos principais no DF, ligados a grupos rivais. Um dos investigados tinha papel relevante na logística de envio de drogas de outros estados para abastecer o mercado local. 

Os elementos reunidos indicam ainda vínculos com ambientes criminosos fortemente armados e já consolidados fora da capital federal, o que, segundo os investigadores, amplia o potencial de atuação da organização. 

Lavagem de dinheiro

No eixo financeiro, a polícia identificou um sistema estruturado de lavagem de dinheiro, com uso de empresas de fachada, contas de terceiros e criptoativos. Parte dos recursos era pulverizada por meio de transferências padronizadas e saques em espécie para dificultar o rastreamento. 

Uma única conta investigada movimentou mais de R$ 79 milhões em curto período. Também foram identificadas empresas sem capacidade operacional compatível com os valores movimentados, registradas em diferentes estados. 

As apurações alcançam ainda investigados estrangeiros, incluindo dois colombianos e um venezuelano, apontados como peças relevantes na engrenagem financeira e logística do grupo. Um dos colombianos foi preso na Espanha após constar na lista de difusão vermelha da Interpol. 

Os investigados podem responder por tráfico interestadual de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que, somadas, podem chegar a 55 anos de prisão, além de multa.

 

 

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