A apuração pontua que alguns dos juízes “mais poderosos do mundo mantêm uma relação excessivamente próxima com a elite empresarial e política”.
Por Redação, com The Economist – de Londres
A revista ultraconservadora britânica The Economist deduz, diante dos fatos apresentados até agora, que o Supremo Tribunal Federal (STF) está envolvido em um “enorme escândalo”. O texto relata as suspeitas e questionamentos que têm se acumulado nos últimos meses envolvendo ministros da corte e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A apuração pontua que alguns dos juízes “mais poderosos do mundo mantêm uma relação excessivamente próxima com a elite empresarial e política”. Ganham destaque na publicação os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A revista afirma, por exemplo, que investigações sobre o banqueiro levantaram dúvidas sobre a conduta de integrantes do Supremo.
O texto afirma que isso é importante porque candidatos de direita podem ampliar a presença no Senado nas próximas eleições e que parte deles tem como bandeira a abertura de processos de impeachment contra ministros da corte. Ao abordar a participação de Dias Toffoli, que conduziu a relatoria do caso no Tribunal até há pouco tempo e se afastou após pressão, a revista cita que Vorcaro teria investido em um resort da família do ministro, assim como as alegações feitas pela Polícia Federal (PF) em relatório entregue ao Supremo. Acrescenta que o ministro nega irregularidades.
Escritório
Em relação a Moraes, a revista diz que, após surgirem informações sobre um contrato de advocacia envolvendo a esposa do magistrado e o Banco Master, ele determinou uma investigação sobre suspeita de vazamento de dados fiscais.
Como revelado no ano passado, o escritório de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, firmou um contrato com o Master, prevendo o pagamento de R$ 3,6 milhões por mês, durante três anos. Na última semana, Moraes tomou diferentes medidas relacionadas à apuração quanto ao vazamento de dados sigilosos de ministros da corte e seus familiares.
Indo além dos episódios ligados ao caso do Banco Master, a publicação afirma que a interação entre empresas e o tribunal é comum e cita o ministro Gilmar Mendes, o mais longevo do STF, acrescentando que ele organiza anualmente em Lisboa um encontro com políticos, magistrados e empresários — alguns deles com processos em andamento na Corte Suprema.
Também afirma que o nepotismo é disseminado, citando levantamentos indicando processos em que parentes de ministros atuam como advogados nos tribunais superiores. A revista cita a iniciativa do presidente do STF, Edson Fachin, de criar um código de ética para os ministros da corte, e que Toffoli e Moraes foram contra a medida. Por fim, a publicação afirma que, independentemente do que pensam os ministros, os inimigos deles no Congresso “estão de olho”.