A reunião, presidida pelo ministro Luiz Fux, relator da ação aberta na semana passada pelo governo do GDF, serviu como ponto de partida para o processo que visa obrigar o governo federal a socorrer o BRB.
Por Redação – de Brasília
A governadora do Distrito Federal (DF), Celina Leão, esteve no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, reunida com representantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com o pedido de uma autorização do Tesouro Nacional para um empréstimo bilionário destinado a salvar o Banco Regional de Brasília (BRB). O golpe aplicado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, deixa o DF à beira da insolvência.

A reunião, presidida pelo ministro Luiz Fux, relator da ação aberta na semana passada pelo governo do GDF, serviu como ponto de partida para o processo que visa obrigar o governo federal a socorrer o BRB. A audiência foi marcada a pedido do Ministério da Fazenda e da Advocacia-Geral da União (AGU), que manifestaram interesse na conciliação.
O BRB entrou em crise após a aquisição de ativos podres do Banco Master, instituição que foi liquidada pelo Banco Central (BC) por suspeita de fraudes financeiras bilionárias. Uma investigação no próprio STF apura, na esfera penal, as responsabilidades pela operação, que deixou o banco público de Brasília sob o risco de também ser liquidado.
Negócio
Ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa foi preso em 16 de abril no âmbito do inquérito em curso. O executivo é suspeito de ter recebido propina de Vorcaro, também preso, para viabilizar o negócio. Os fatos investigados ocorreram durante a gestão do ex-governador Ibaneiz Rocha, que renunciou ao cargo para se candidatar nas eleições deste ano. A vice-governadora, Celina Leão, assumiu o GDF em março.
Até hoje, não foi dimensionado com exatidão o tamanho do prejuízo causado ao BRB, uma vez que o banco ainda não entregou suas atualizações contábeis periódicas e obrigatórias ao BC. O prazo legal era 31 de março, mas foi adiado após a instituição não publicar suas demonstrações financeiras.
A estimativa, contudo, é de que o prejuízo supere os R$ 10 bilhões. Na ação que abriu no Supremo, o GDF busca o aval para conseguir cerca de R$ 9 bilhões em empréstimos que negocia com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e bancos privados. Para isso, pede que o Supremo obrigue o Tesouro a garantir o negócio.
Bazuca
Para a jornalista Mônica Bergamo, colunista do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, tanto a atuação de Vorcaro junto ao BRB quanto a operação da Polícia Federal (PF) contra Cláudio Castro, nesta manhã, colocam em evidência o impacto das investigações sobre a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. A ofensiva policial contra o aliado fluminense “vira tiro de bazuca na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência”, disse Bergamo.
A análise da jornalista ocorre em meio aos novos desdobramentos das investigações que apuram as atuações de Castro e Vorcaro, incluindo a apreensão e o desbloqueio de dois celulares e um tablet encontrados na residência do ex-governador do Rio de Janeiro durante a ‘Operação Sem Refino’.
Para Mônica Bergamo, o problema político para Flávio Bolsonaro não está apenas no avanço da PF sobre Castro e o BRB, mas no momento em que a operação ocorreu.
— Aliados avaliam que a nova investigação é um golpe severo para Flávio, que já tentava se distanciar de Castro por considerá-lo tóxico. O problema é que a PF agiu antes do distanciamento virar fato público — concluiu.