Para aliados da família Bolsonaro, o dirigente partidário ampliou o desgaste político do pré-candidato e deu munição aos adversários.
Por Redação – de Brasília
As últimas declarações do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, sobre o encontro entre o senador Flávio Bolsonaro, ou filho ’01’ como também é conhecido, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro acrescentou mais gasolina à fogueira que consome a pré-campanha presidencial do partido; além de aprofundar a divisão interna entre setores independentes e o PL alinhado ao ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro.

Na véspera, Costa Neto afirmou em entrevista ao canal de TV por assinatura GloboNews que ’01′ teria procurado Vorcaro para “ver se conseguia o restante do dinheiro” prometido para financiar o filme ‘Dark Horse’. A observação vai de encontro ao que disse o senador, que alega ter buscado o ex-banqueiro para “botar um ponto final” na parceria.
Para aliados da família Bolsonaro, no entanto, o dirigente partidário ampliou o desgaste político do pré-candidato e deu munição aos adversários.
Versão
O desentendimento interno, no PL, já foi alvo de críticas do pré-candidato Renan Santos (MISSÃO). Ele afirmou que “Valdemar entregou Flávio” e questionou a versão do senador.
“Quer dizer que Flávio mentiu e não foi até Vorcaro para dizer ‘não fale mais comigo depois que virou bandido’ Foi para cobrar valores? Ele mudou a versão. Qual favor Flávio fez para receber doações secretas?”, questionou Santos, nas redes sociais.
Já o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou uma notícia de fato para que a Polícia Federal (PF) apure as declarações de Valdemar sobre a suposta cobrança de dinheiro feita por ’01′ a Vorcaro.
Foto
Acossado, Flávio Bolsonaro nega irregularidades e sustenta que se reuniu com Vorcaro, após a primeira prisão do ex-banqueiro em 2025, para encerrar a questão do financiamento do filme. Na tentativa de fugir do olho do furacão, o pré-candidato voou para Washington, onde posou para uma fotografia ao lado do presidente norte-americano, Donald Trump.
A manobra serviu para desviar a atenção do público ao menos por 12h, e se afastar do debate sobre o caso Master. A repercussão, porém, ainda é contaminada pela divulgação do áudio com Daniel Vorcaro, que impacta diretamente a percepção dos eleitores.
Com isso, 30% dos comentários analisados dizem que Flávio teria conseguido apenas uma foto rápida, sem reunião substantiva, sem tapete vermelho, sem aperto de mão, sem vídeo e com Trump sentado, comparando a cena ao retrato de fã, turista, “Papai Noel, Disney ou museu de cera”, na avaliação do analista de redes Pedro Barciela, que detectou 348 mil citações sobre o tema, até a manhã desta quarta-feira.
‘Lambe-botas’
Cerca de 22% ainda questionam a autenticidade da imagem, citam supostas semelhanças com fotos de Trump com Cristiano Ronaldo ou outras pessoas. Repetem que a pose, o sorriso e as mãos de Trump seriam idênticos em diferentes registros e pedem confirmação oficial da Casa Branca.
Na esteira dessa abordagem, surgem críticas também por uma suposta subserviência aos EUA e risco à soberania brasileira (18%). Aqui, parte dos comentários interpreta a visita como “lambe-botas”, “capacho” ou “entreguismo”, associando o pedido a Trump sobre facções a uma tentativa de envolver os EUA em assuntos internos do Brasil, com menções a intervenção estrangeira, ameaça à soberania e entrega do país.
No mais, 17% dos comentários afirmam que se organizações criminosas forem tratadas como terrorismo, como Flávio pediu a Trump, milícias, PL, aliados do Rio, família Bolsonaro, Banco Master e Vorcaro também deveriam entrar na conta. Por isso, ironizam que Flávio estaria “pedindo para prender a si mesmo” ou seus próprios aliados.