Rio de Janeiro, 03 de Julho de 2026

Carta de ’01’ aos EUA foi ‘outro tiro no pé’, apontam aliados do PL

A leitura é que a proximidade do filho de Jair Bolsonaro (PL) com o governo norte-americano terá de ser administrada pela campanha para reduzir danos políticos.

Sexta, 03 de Julho de 2026 às 21:24, por: CdB

A leitura é que a proximidade do filho de Jair Bolsonaro (PL) com o governo norte-americano terá de ser administrada pela campanha para reduzir danos políticos.

Por Redação – de Brasília

A carta de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Escritório de Comércio dos Estados Unidos foi um movimento “politicamente equivocado, um tiro no pé”, avaliaram aliados do senador, também conhecido por filho ’01’. O movimento apenas fortalece a narrativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que o primogênito de Jair Bolsonaro (PL) “não passa de um traidor da Pátria”.

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não parou ainda de cair, nas pesquisas de opinião

Para interlocutores próximos ao pré-candidato, o documento sobre o tarifaço fala sobretudo para o públlico já alinhado ao bolsonarismo, mas pode afastar setores independentes do eleitorado, avaliou o jornalista Valdo Cruz, em seu blog no site de notícias G1, nesta sexta-feira.

Políticos próximos a Flávio Bolsonaro, segundo Cruz, reconhecem que a iniciativa deu munição para Lula acusar o senador de agir de forma “entreguista” e subordinada aos interesses do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A leitura é que a proximidade do filho de Jair Bolsonaro (PL) com o governo norte-americano terá de ser administrada pela campanha para reduzir danos políticos.

 

Espaço

O centro da controvérsia está no pedido feito por Flávio para que Trump adie a eventual imposição de novas tarifas contra produtos brasileiros. No documento, o senador argumenta que uma medida imediata poderia favorecer politicamente Lula. Para aliados, porém, o tom adotado na carta produziu o efeito inverso ao pretendido: em vez de proteger o pré-candidato, abriu espaço para que o governo o apresentasse como alguém disposto a negociar concessões favoráveis aos Estados Unidos caso vença a eleição.

A reação de Lula, na véspera, foi praticamente imediata. O presidente classificou a carta como “subserviente” aos interesses de Trump e associou o gesto a uma postura “entreguista” da família Bolsonaro. A resposta indicou que o Planalto pretende explorar o episódio eleitoralmente, vinculando o debate sobre comércio exterior ao tema da soberania brasileira.

— É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado (…) por um de seus integrantes ao governo norte-americano — afirmou Lula.

 

Eleições

Lula também criticou o pedido para que a decisão sobre o tarifaço seja empurrada para depois da eleição. Para Lula, a proposta não enfrenta o problema das tarifas, apenas tenta transferir seus efeitos políticos para outro momento.

— Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria — acrescentou o presidente da República.

Lula ressaltou, ainda, que “nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois”. A declaração reforça a estratégia do governo de sustentar que eventuais barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos contra o Brasil não têm fundamento aceitável e atingiriam diretamente interesses nacionais.

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