Rio de Janeiro, 02 de Junho de 2026

Senador Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro curtiram férias juntos

Descubra como o senador Ciro Nogueira e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro desfrutaram férias luxuosas nos Alpes franceses, levantando questões sobre gastos públicos.

Terça, 02 de Junho de 2026 às 20:16, por: CdB

Ciro Nogueira e a namorada, a modelo e empresária Flávia Rosalen, passaram 13 dias, entre 12 e 25 de janeiro de 2025, no resort francês com as despesas custeadas por Daniel Vorcaro.

Por Redação – de São Paulo

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) divertiram-se a valer com dinheiro público, cerca de R$ 2 milhões segundo apuração da Polícia Federal (PF), em férias de 10 dias nos Alpes franceses, durante o inverno do ano passado. Em Courchevel, uma das mais luxuosas estações de esqui europeias, Vorcaro, Nogueira e respectivas acompanhantes hospedaram-se nos melhores hotéis da região, com diárias em euros.

Senador Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro curtiram férias juntos | Vorcaro e Ciro passaram férias nos Alpes franceses, no inverno passado
Vorcaro e Ciro passaram férias nos Alpes franceses, no inverno passado

Conforme apurou a revista mensal Piauí, em extensa matéria publicada nesta terça-feira sob o título ‘Ciro Nogueira, o amigo do crime’, a temporada na neve chamou a atenção da PF pela intimidade entre o banqueiro preso por fraude bilionária no sistema financeiro nacional, e o presidente do Partido Popular (PP), um dos pilares do chamado ‘Centrão’, grupo suprapartidário que reúne as forças da direita e domina o Congresso brasileiro.

Ciro Nogueira e a namorada, a modelo e empresária Flávia Rosalen, passaram 13 dias, entre 12 e 25 de janeiro de 2025, no resort francês com as despesas custeadas por Daniel Vorcaro. De acordo com os comprovantes acessados pela equipe de reportagem, o custo aproximado da gastança ficou em R$ 1.849.201, em valores apurados pela PF e anexados ao inquérito em curso sobre o envolvimento entre o senador e o trambiqueiro abonado.

 

Paisagem

Courchevel é um dos destinos turísticos europeus, no inverno dos Alpes franceses, frequentado pelas maiores fortunas do mundo, em hotéis de cinco estrelas e restaurantes reconhecidos no Guia Michelin. O líder do PP e sua companhia viajaram de São Paulo até Paris e, de lá, chegaram com todo requinte à estação de esqui, sem economizar nas diárias e jantares de alta classe.

Segundo a Piauí, Vorcaro se juntou ao casal Nogueira acompanhado de Martha Graeff, sua então noiva. Entre as fotos anexadas ao inquérito, Vorcaro e Ciro Nogueira aparecem abraçados, com a paisagem nevada de Courchevel ao fundo. A fotografia estava no celular de Vorcaro, conforme relato policial.

Tamanha intimidade, segundo os investigadores, supera os limites de uma amizade comum. O fato levou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça a autorizar, em 6 de maio, uma nova operação da PF no processo sobre o Banco Master. Ao analisar a relação entre Ciro e Vorcaro, Mendonça concordou que havia um “arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo, extrapolando relações de mera amizade”, escreveu em seu despacho.

 

Registros

Mas, segundo apurou a revista, há outros momentos em que Vorcaro abriu a carteira para o senador. Estão sob a lupa da PF uma série de pagamentos, uso de imóveis, despesas pessoais, viagens, emendas parlamentares e influência política em favor de interesses ligados ao banqueiro. A Piauí afirma ter tido acesso a mais de 60 páginas do relatório da PF, com registros de datas, mensagens, fotos, deslocamentos e operações financeiras suspeitas.

Segundo a publicação, o relacionamento entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro era alvo de observação policial antes mesmo da viagem à França. Um documento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou uma série de depósitos feitos pela empresa BRGD, ligada à família de Vorcaro, em favor da CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa associada à família Nogueira. De agosto de 2023 a agosto de 2024, os repasses chegaram a R$ 902 mil, algo considerado atípico pela autarquia do Banco Central (BC).

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