As imagens constam do inquérito que investiga os dois pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no Supremo Tribunal Federal (STF), cujo sigilo foi retirado nesta terça-feira pelo ministro André Mendonça.
Por Redação – de Brasília
A Polícia Federal (PF) apurou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, mantinha uma “relação instrumental” com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), visando interesses privados no Congresso. O arco de interesses teria se estendido também ao presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (PP-AL).

Em contrapartida, segundo as investigações, Ciro Nogueira recebia vantagens financeiras, como o pagamento de despesas no exterior; além de uma ‘mesada’ que variava entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. O relatório da PF, que circulou junto à mídia nesta manhã, traz uma série de fotos em que Vorcaro aparece com Nogueira em viagens internacionais.
As imagens constam do inquérito que investiga os dois pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no Supremo Tribunal Federal (STF), cujo sigilo foi retirado nesta terça-feira pelo ministro André Mendonça.
Benefícios
“Tal vínculo de amizade transcende a mera relação pessoal, revelando-se, na verdade, uma relação funcional e instrumental, estruturada a partir da convergência de interesses ilícitos e orientada pelo benefício mútuo extraído por cada um dos envolvidos”, afirma o relatório da PF.
Entre as “vantagens econômicas indevidas”, enumeradas no relatório da PF, constam a sociedade em uma empresa por um valor abaixo do preço real; a identificação de pagamentos mensais de R$ 300 mil; o uso de um imóvel de Vorcaro como se fosse do próprio senador e o custeio de viagens internacionais, como hospedagens, restaurantes e voos em jatinhos privados.
De acordo com a investigação, Vorcaro teria pagado para Ciro a estadia no Park Hyatt New York, hotel cinco estrelas com diárias de mais de R$ 10 mil; despesas em restaurantes premiados e “outros gastos atribuídos ao parlamentar e à sua acompanhante”. Ainda segundo a PF, um cartão de crédito com valores em aberto foi liberado para os gastos pessoais.
Ciro e Hugo
A mesma prática se estendeu ao presidente da Câmara, Hugo Motta. Em Lisboa, no fim de junho de 2024, Vorcaro pediu a um auxiliar reforço na privacidade dos hóspedes, de acordo com análise de material apreendido pela PF. À época, aconteceriam eventos na capital portuguesa como o Fórum Jurídico de Lisboa, conhecido como Gilmarpalooza, por ser capitaneado pelo ministro do STF Gilmar Mendes.
No dia 18 de junho, Vorcaro informou a um auxiliar que precisaria de reservas em Lisboa para os dias 24 a 30, para ele próprio e também mais dois quartos para “Ciro e Hugo”. As reservadas das suítes foram ao hotel Four Seasons, de cinco estrelas.
— Preciso muito que você dê uma atenção na questão de segurança. Cidade está lotada, eu tive lá no lugar agora. Tive uma reunião lá no clube. Tem que ter certeza que o lugar em frente ao restaurante também esteja privatizado porque senão dá pra ver tudo lá dentro — alertou Vorcaro, em áudio anexado ao inquérito.
Procurados pela reportagem do Correio do Brasil, nesta tarde, nem o deputado ou o senador se pronunciaram.