Ministros e aliados do presidente, conforme apurou a mídia conservadora, passaram a atuar nos bastidores para convencer Wagner a deixar o cargo por iniciativa própria.
Por Redação – de Brasília
O núcleo político do Palácio do Planalto ainda avalia se mantém o senador Jaques Wagner (PT-BA) na liderança do governo no Senado. A operação da Polícia Federal (PF) no âmbito das investigações sobre os crimes cometidos no esquema do Banco Master, na avaliação de assessores próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tornou insustentável a presença de Wagner no cargo.

Ministros e aliados do presidente, conforme apurou a mídia conservadora, passaram a atuar nos bastidores para convencer Wagner a deixar o cargo por iniciativa própria. Lula, segundo o diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, não pretende destituir diretamente o senador da função, mas espera que ele apresente sua renúncia nos próximos dias.
A expectativa entre integrantes do governo é de que essa decisão seja anunciada, no mais tardar, na próxima segunda-feira. A movimentação ganhou força após a PF deflagrar a nova fase da ‘Operação Compliance Zero’, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master. A ação cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Defesa
Segundo aliados de Lula, o presidente telefonou duas vezes para Jaques Wagner na quinta-feira, logo após a operação policial. As conversas, no entanto, teriam sido marcadas por manifestações de solidariedade ao senador e não avançaram para discussões sobre uma eventual substituição na liderança governista.
Assessores do governo afirmam que o gesto de apoio de Lula não representa uma garantia de permanência de Wagner na liderança. A interpretação predominante entre auxiliares presidenciais é que o senador deveria deixar o cargo alegando a necessidade de concentrar esforços em sua defesa diante das investigações.
Ainda segundo relatos de aliados do presidente, Lula teria sugerido que Wagner concedesse entrevistas para apresentar sua versão dos fatos. No entanto, dentro do Palácio do Planalto, a avaliação é de que os esclarecimentos oferecidos até agora não foram suficientes para encerrar o desgaste político provocado pelo caso.
Encontro
Embora a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República não tenha confirmado a agenda, o presidente Lula deverá se reunir na próxima semana com o senador Jaques Wagner, para tratar de sua permanência no cargo diante das investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Interlocutores do Palácio do Planalto disseram à mídia conservadora que a avaliação interna leva em conta o desgaste político provocado pelo caso. Lula, que nesta sexta-feira viajou para a Bahia, deve ouvir pessoalmente o senador antes de uma definição sobre os próximos passos.
Ainda nesta sexta-feira, a PF iniciou a perícia dos dois celulares apreendidos com o senador Jaques Wagner, para verificar possíveis conexões com investigados no caso Banco Master. Os aparelhos foram recolhidos durante a nona fase da operação.