Wagner tem buscado se articular desde as primeiras horas da manhã, quando teve o apartamento revistado por agentes federais, na capital baiana.
Por Redação – de Brasília e Salvador
Líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado, o ex-governador baiano Jaques Wagner (PT-BA) foi alvo nesta quinta-feira de uma ordem de busca e apreensão liberada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e cumprida pela Polícia Federal (PF), no âmbito de uma nova fase da ‘Operação Compliance Zero’. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo o senador, telefonou para ele nesta tarde “e se solidarizou comigo”.

Wagner tem buscado se articular desde as primeiras horas da manhã, quando teve o apartamento revistado por agentes federais, na capital baiana. A interlocutores, o senador disse que as diligências da PF eram desnecessárias porque sempre esteve “à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração”.
O ministro André Mendonça, do STF, também autorizou a revista nos imóveis de Augusto Lima, ex-sócio do empresário preso Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, recém-liquidado pelo Banco Central (BC).
Em nota, por sua vez, a defesa do empresário Augusto Lima afirmou que, ”de todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos. Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”.
Diárias
Segundo comunicado da PF, a nona fase da ‘Compliance Zero’ visa apurar a eventual participação de agente público em esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional.
Na batida policial em locais frequentados por Jaques Wagner, a PF apreendeu US$ 55 mil e 33 mil euros, o equivalente a cerca de R$ 441 mil em valores atuais. Em entrevista ao canal de TV por assinatura Bandnews, de Salvador, o líder petista explicou que os recursos são lícitos, decorrentes de diárias que recebeu do Senado para viagens ao exterior.
— Eu não tenho nenhuma coisa para esconder. Esse dinheiro está guardado em cofre porque eu vou viajar e nem sempre levo a diária, faço gastos com o cartão, e portanto o dinheiro está lá. Os envelopes (…) têm o timbre do Senado, que é quando se recebe a diária em espécie. Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master — afirmou.
Investigado
A PF aponta uma possível relação ilícita entre gestores do Banco Master, especialmente Augusto Ferreira Lima e Daniel Vorcaro, e Jaques Wagner. O senador é descrito no documento como suposto beneficiário central de vantagens econômicas indevidas, que teriam sido estruturadas direta ou indiretamente por meio de familiares, pessoas de confiança e empresas vinculadas ao grupo investigado.
A apuração foi dividida em três eixos principais. O primeiro trata da possível aquisição do apartamento 1.702 do empreendimento Poème Horto, em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões, com suspeita de uso de empresa interposta para ocultar o beneficiário final.
— Sobre o apartamento, na verdade é um apartamento que está em construção aqui no Horto. Eu tinha interesse em dar um apartamento, ajudar minha filha a comprar um apartamento desses. Como o ‘Guga’, o Augusto Lima, é um investidor, eu disse a ele: ‘pode comprar, depois vou recomprar’, porque o apartamento está em construção. Não está pronto. Eu teria que vender o apartamento de minha filha para complementar e pagar o apartamento ou ela financiar. Não tem nenhuma transferência de patrimônio para mim — resumiu.
Esclarecimentos
Além desses dois pontos da denúncia, há ainda outros a serem respondidos, o que levou aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a considerar, logo após os fatos, o afastamento do senador Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo, no Senado.
Uma eventual saída do cargo, no entanto, é uma decisão exclusiva do próprio senador ou do presidente Lula.
— A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem falei hoje, e não acho… sinceramente, acho muito difícil que ele mexa na minha posição, pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim. Ele fez questão de me ligar, se solidarizar comigo e ele, que já teve problemas até maiores do que esse, (…) foi preso, depois foi solto e está aí, como presidente da República — concluiu Wagner.