A robustez do arcabouço institucional do país também foi apontada como um pilar fundamental para a manutenção dos negócios.
Por Redação, com Reuters – de São Paulo
As garantias institucionais e a estabilidade econômica, no Brasil, têm assegurado um ambiente favorável ao aporte de capital estrangeiro. A opinião é da presidente-executiva do Grupo Santander, Ana Botín, ao comentar o cenário político e financeiro brasileiro durante o XXII Encontro Santander América Latina, nesta quarta-feira. Botín destacou a relevância das sinalizações emitidas pela gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e reiterou o compromisso de investimento no país.

Ao avaliar a condução das diretrizes nacionais, Botín reforçou que as ações do Poder Executivo geram segurança ao setor financeiro internacional.
— O governo do presidente Lula deu demonstrações importantíssimas de confiança para os mercados: a independência do Banco Central — afirmou.
Para a banqueira espanhola, a autoridade monetária brasileira possui um nível de autonomia que a coloca em patamar de destaque mundial “igual ou mais independente que qualquer um de qualquer país desenvolvido”.
Sem dúvidas
A robustez do arcabouço institucional do país também foi apontada como um pilar fundamental para a manutenção dos negócios. A líder do conglomerado financeiro ressaltou que a divisão de poderes limita inflexões bruscas na condução do Estado.
Para Botín, “não há nenhuma dúvida de que o Brasil é um país que tem instituições muito sólidas”. Ela comparou o cenário brasileiro ao modelo observado nos Estados Unidos, onde a presença de diversos “freios e contrapesos” restringe a “margem de manobra para mudar, nem para o bem nem para o mal” por parte das gestões de turno.
Aposta
Ao comentar a oferta pública de aquisição (OPA) voluntária da filial brasileira da instituição, Botín esclareceu que o movimento estratégico representa uma aposta firme da matriz espanhola no desenvolvimento do Brasil.
— É uma aposta de médio prazo. Estamos falando de vários bilhões de dólares de investimento adicional no Brasil e creio que mostra a confiança que temos no país — adiantou.
Paralelamente às operações financeiras locais, a executiva analisou a conjuntura fiscal global.
— Para mim, o que está acontecendo com a parte fiscal no mundo, incluindo no Brasil, é algo que não abordamos corretamente em nenhum país, que é o fato de termos uma economia digital que tem estruturas, que ainda opera como na era industrial — concluiu.