Pouco antes do início das consultas trilaterais com os EUA e a Ucrânia em Abu Dhabi, Rússia deixa claro que não abrirá mão de região no leste da Ucrânia como condição para um acordo de paz.
Por Redação, com DW – de Moscou
O Exército da Ucrânia deve abandonar a região do Donbass, sendo esta uma condição “muito importante” para alcançar um acordo de paz, assegurou o Kremlin nesta sexta-feira, antes do início das consultas trilaterais com os Estados Unidos e a Ucrânia em Abu Dhabi.

O encontro ocorre após conversas entre o presidente do Kremlin, Vladimir Putin , e o enviado dos EUA, Steve Vitkoff, em Moscou, bem como uma reunião entre o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky , e o presidente dos EUA, Donald Trump , em Davos, na Suíça.
– As Forças Armadas ucranianas devem abandonar o território do Donbass, devem ser retiradas de lá. Esta é uma condição muito importante para o fim do conflito – afirmou o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, durante sua coletiva de imprensa telefônica diária.
Peskov evitou comentar “detalhes dos postulados que serão debatidos” nos Emirados Árabes Unidos e assinalou que não revelaria mais informações sobre o que ele chamou de “fórmula de Anchorage”, em referência à na cúpula do Alasca em agosto de 2025 entre os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Donald Trump. “Consideramos inoportuno”, justificou o porta-voz.
Destino de territórios ucranianos
Após as negociações nesta madrugada entre Putin e os emissários da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner, o assessor de política internacional, Yuri Ushakov, salientou a necessidade de solucionar a questão territorial em virtude do consenso alcançado em Anchorage.
Na ocasião, Trump renunciou à exigência de um cessar-fogo imediato como condição indispensável, embora os detalhes sobre o destino do Donbass e das regiões de Kherson e Zaporíjia – anexadas unilateralmente por Moscou em 2022 – permaneçam sob sigilo.
Segundo Peskov, Putin sente-se “absolutamente” bem após as negociações noturnas com os emissários norte-americanos, que terminaram em altas horas. “É um trabalho muito intenso, muito responsável e extremamente complexo. Por isso, quando se realizam consultas deste tipo, é habitual que ninguém repare na hora”, sustentou.
O porta-voz russo lembrou que existem cerca de US$ 5 bilhões em ativos russos congelados nos Estados Unidos e indicou que um quinto desse valor poderia ser destinado à reconstrução da Faixa de Gaza por meio do Conselho de Paz promovido por Trump, e não descartou que o restante sirva para reconstruir os territórios ucranianos que ficarem sob controle russo após o fim da guerra.
Delegações
Embora o Kremlin tenha evitado confirmar nomes oficialmente na coletiva, fontes diplomáticas indicam que a delegação russa em Abu Dhabi será encabeçada pelo chefe da Inteligência Militar (GRU), almirante Igor Kostyukov. Peskov limitou-se a dizer que o grupo é integrado exclusivamente por “representantes do Ministério da Defesa”.
Segundo Volodymyr Zelensky, a Ucrânia enviará seu negociador-chefe, Rustem Umerov, bem como o chefe do Estado-Maior General, Andriy Gnatov.
A reunião em Abu Dhabi marca o primeiro encontro trilateral direto entre oficiais de alto escalão de Rússia, Ucrânia e Estados Unidos desde o início da invasão em 2022 . Representantes russos já partiram para os Emirados Árabes e o Kremlin prevê que as negociações ocorram entre esta sexta e sábado.
Negociações diretas entre a Rússia e a Ucrânia já haviam ocorrido em 2022. Mais recentemente, os dois lados se encontraram diversas vezes em Istambul, em 2025. No entanto, essas conversas resultaram apenas em trocas de prisioneiros e na repatriação dos restos mortais de soldados mortos em combate.
Posteriormente, adotou-se uma espécie de diplomacia itinerante: os EUA, atuando como mediadores, conversavam separadamente com russos e ucranianos e, em seguida, transmitiam suas respectivas propostas ao outro lado.