A Rússia está tentando bloquear o Telegram, que tem mais de 1 bilhão de usuários ativos e é amplamente utilizado tanto no território russo quanto na Ucrânia.
Por Redação, com Reuters – de Moscou
A Rússia intensificou nesta terça-feira seus esforços para subjugar o aplicativo de mensagens Telegram, anunciando em um jornal estatal que estava investigando o bilionário fundador Pavel Durov como parte de um processo criminal envolvendo acusações de terrorismo.

A Rússia está tentando bloquear o Telegram, que tem mais de 1 bilhão de usuários ativos e é amplamente utilizado tanto no território russo quanto na Ucrânia. O objetivo é direcionar dezenas de milhões de russos para uma alternativa apoiada pelo Estado, conhecida como MAX.
O Telegram não respondeu ao pedido de comentário e não foi possível contatar Durov, embora o aplicativo tenha negado repetidamente as alegações da Rússia de que é um refúgio para atividades criminosas e comprometido pelos serviços de inteligência ocidentais e ucranianos.
O jornal estatal russo Rossiyskaya Gazeta publicou nesta terça-feira um artigo de 1,5 mil palavras que, segundo o jornal, era “baseado em materiais do Serviço Federal de Segurança da Rússia” e acusava o aplicativo de ser “uma ferramenta para ameaças híbridas”.
“As ações do chefe do Telegram, P. Durov, estão sendo investigadas como parte de um processo criminal por crime previsto no Artigo 205.1, Parte 1.1 (auxílio a atividades terroristas) do Código Penal da Rússia”, afirmou.
O jornal afirmou que o Telegram se tornou uma ferramenta da aliança militar da Otan e da Ucrânia, sendo amplamente utilizado por radicais e terroristas e representando uma “ameaça à nossa sociedade”.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que as autoridades notaram uma grande quantidade de material no Telegram que poderia “potencialmente representar uma ameaça” à Rússia.
– Registramos um grande número de violações e a falta de vontade da administração do Telegram em cooperar com as nossas autoridades – disse Peskov aos repórteres. “As autoridades competentes estão tomando as medidas que consideram apropriadas.”
Quatro anos após o início da guerra mais sangrenta na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, a Rússia está expandindo seus já significativos poderes repressivos e criando um Estado de vigilância digital mais sofisticado, nos moldes da China.
Repressão
Autoridades russas afirmam que a repressão às redes privadas virtuais (VPNs) e a aplicativos de mensagens como WhatsApp e Telegram é essencial para a segurança, visto que Moscou enfrenta ataques mortais em território russo provenientes da Ucrânia e supostas tentativas de sabotagem por agências de inteligência ocidentais.
Por sua vez, as agências de inteligência ocidentais afirmam estar enfrentando a maior ameaça russa desde a Guerra Fria e dizem estar tentando recrutar agentes na Rússia, mas negam ter a intenção de destruir o país.
Moscou vem apertando o controle sobre o Telegram há meses, primeiro reduzindo a velocidade das chamadas de voz e vídeo e depois bloqueando brevemente o aplicativo para alguns usuários no início deste mês, embora ele ainda estivesse funcionando para os repórteres da Reuters em Moscou nesta terça-feira.
Desde a sua criação, em 2013, o Telegram tornou-se uma das fontes de notícias mais importantes dentro da Rússia, inclusive para soldados em ambos os lados da linha de frente de 1,2 mil km (750 milhas) no leste da Ucrânia.