Usando balaclavas rosa-choque, símbolo do Pussy Riot, as participantes levantaram cartazes, balançaram a bandeira da Ucrânia.
Por Redação, com ANSA – de Veneza
Manifestantes dos grupos feministas russo Pussy Riot e ucraniano Femen realizaram um protesto contra a Rússia em frente ao seu pavilhão na Bienal de Veneza nesta quarta-feira.

Usando balaclavas rosa-choque, símbolo do Pussy Riot, as participantes levantaram cartazes, balançaram a bandeira da Ucrânia, lançaram fumaça e entoaram frases anti-Moscou no dia em que o país liderado por Vladimir Putin faz a reabertura oficial de seu estande em um dos maiores eventos de arte contemporânea do mundo, após ter sido barrado nas edições de 2022 e 2024 pela invasão no país vizinho.
De modo paralelo, o presidente da Fundação Bienal de Veneza, Pietrangelo Buttafuoco, afirmou que “censura antecipada” é algo que lhe preocupa, depois de permitir o retorno da Rússia na 61ª Exposição Internacional de Arte, que será inaugurada no próximo sábado. No entanto, devido a sanções, Moscou está proibida de abrir seu pavilhão ao público durante a mostra, que será encerrada em 22 de novembro.
– Esta é uma Bienal que não quer resolver questões, mas sim mostrar, levantar questionamentos. Aqui, o único veto é à exclusão preventiva. Preocupa-me a censura antecipada, as declarações que chovem de todos os lados, construindo um veredito antes do debate – afirmou Buttafuoco nesta quarta em uma coletiva de imprensa de apresentação da mostra realizada no Arsenal.
Em meio à polêmica gerada com a reabertura do pavilhão russo nesta edição, que criou atritos com o governo italiano e com a União Europeia, o presidente da Fundação destacou que “a Bienal não é um tribunal, [mas] um jardim de paz”.
“Pedimos às instituições diálogo. Vamos tentar olhar para a lua juntos”, disse Buttafuoco com uma metáfora.
Ele agradeceu o posicionamento do governo do país por aceitar a decisão da organização do evento em aceitar artistas russos em 2026, pelo fato de “a Fundação Bienal de Veneza ser autônoma”, apesar de não compartilhar da mesma opinião.
Referindo-se à primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, Buttafuoco destacou que a premiê confirmou a “liberdade e a autonomia”, que são “fundamentos da civilização do direito”.
O chefe da Fundação também lembrou que os termos apenas citados foram definidos pelo presidente italiano, Sergio Mattarella, como o “mandato da arte e da cultura”.
– Sigam em frente, sejam ousados e desenvolvam seus projetos livremente. É isso que recomenda o presidente da República [Mattarella] – falou Buttafuoco, antes de finalizar: “Pois bem, aqui estamos”.
De modo paralelo, o embaixador da Rússia em Roma, Alexey Paramonov, criticou o governo da Itália e a direção da Fundação Bienal, que segundo ele, “se tornaram alvo de ditames e pressões inaceitáveis e brutais da União Europeia, cujos burocratas cinzentos e sem rosto fizeram tudo o que puderam para baixar a ‘Cortina de Ferro’ e impedir qualquer intercâmbio entre os países da UE e a Rússia”.
– Há algo verdadeiramente mórbido e irracional na obsessão da UE em perseguir a cultura e a arte russas por meio de sanções e todo tipo de restrições – escreveu Paramonov no Facebook, pouco antes de inaugurar o pavilhão de Moscou em Veneza.
A nação governada por Putin tem sido alvo de sanções por levar a guerra na Ucrânia ao quarto ano, sem que haja qualquer sinal de cessar-fogo.
Protesto
O pavilhão da Rússia na 61ª Bienal de Arte de Veneza, na Itália, foi alvo de protestos nesta quarta-feira, data de sua abertura oficial, restrita a convidados.
Enquanto do lado de fora diversos manifestantes gritavam “Rússia, Estado terrorista”, dentro do estande, durante uma apresentação, um jovem arremessou o conteúdo de uma garrafa de leite contra a plateia e atirou uma fatia de queijo parmesão na parede, antes de ser contido pela polícia.