Um prédio residencial de Kharkiv, no leste da Ucrânia, que era a segunda cidade mais populosa do país antes da guerra, foi destruído pelo bombardeio russo.
Por Redação, com RFI – de Kiev
Um míssil russo atingiu um prédio residencial na cidade de Kharkiv, na madrugada deste sábado. Outras regiões ucranianas também foram visadas pela série de mísseis e drones lançados pela Rússia nesta manhã. Segundo o último balanço, ao todo, 12 pessoas morreram nos bombardeios, a maioria delas em Kharkiv.

Um prédio residencial de Kharkiv, no leste da Ucrânia, que era a segunda cidade mais populosa do país antes da guerra, foi destruído pelo bombardeio russo. Dez pessoas morreram no ataque, mas o balanço de mortos ainda pode aumentar. As equipes de resgate buscam vítimas entre os escombros do edifício de estilo soviético.
– Desde a madrugada, os escombros de um prédio residencial em Kharkiv estão sendo removidos após um ataque com míssil balístico russo – informou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em uma mensagem nas redes sociais.
O prefeito da cidade, Igor Terekhov, detalhou que entre as vítimas do prédio estão duas mulheres que morreram ao lado dos filhos. Os ataques também deixaram mortos e feridos em outras regiões. Em Dnipropetrovsk, no leste, uma pessoa morreu, e em Sumy, na fronteira com a Rússia, um jovem de 24 anos faleceu quando seu carro foi atingido por um drone, anunciaram as autoridades locais.
Em Zaporíjia, um ataque russo deixou um bebê ferido. O balanço das autoridades locais indica ainda três feridos em Kiev e dois em Chuhuiv, na região de Kharkiv.
Série de ataques
Zelensky afirmou que a Rússia lançou 29 mísseis e 480 drones contra o território ucraniano. Durante a noite, o alerta de ataque aéreo foi acionado em todo o país. Segundo o presidente, os bombardeios também atingiram a infraestrutura energética e ferroviária ucraniana.
Moscou confirmou um “ataque em larga escala de alta precisão” contra alvos militares na Ucrânia. A Rússia, no entanto, nega sistematicamente atingir infraestruturas civis.
Negociações estagnadas
Durante o ataque noturno russo, a Força Aérea da Polônia informou na rede social X que mobilizou aviões militares para proteger seu espaço aéreo nas regiões fronteiriças com a Ucrânia. A medida é adotada com frequência por Varsóvia em momentos de ofensivas em larga escala da Rússia.
O ataque russo desta madrugada aconteceu depois de uma troca de 500 prisioneiros de cada lado entre Moscou e Kiev na sexta-feira. A troca é resultado do acordo firmado durante negociações recentes em Genebra entre os dois países. O diálogo, no entanto, parece paralisado pela falta de avanços significativos e pelo início da guerra no Oriente Médio.
A Ucrânia informou a intenção de se organizar uma nova rodada de negociações esta semana em Abu Dhabi. Mas a capital dos Emirados Árabes Unidos foi uma das cidades atingidas pelos mísseis e drones iranianos nos últimos dias, em represália à ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
Zelensky sugeriu que o próximo encontro poderia acontecer na Suíça ou na Turquia. Os dois países já receberam rodadas anteriores de negociações.
Defesa da Ucrânia ameaçada
A guerra no Oriente Médio também pode ter consequências para a capacidade de defesa da Ucrânia. O país depende em grande medida do fornecimento de armas dos Estados Unidos.
O comissário da União Europeia para a Defesa, Andrius Kubilius, advertiu na sexta-feira que Washington não terá capacidade de garantir mísseis para seu próprio Exército, para os aliados no Golfo afetados pelos ataques de Teerã e para a Ucrânia. “Ficou ainda mais urgente para a Europa aumentar a produção de sistemas de defesa aérea e de mísseis balísticos”, insistiu Kubilius.